Está aqui

Empresa de cortiça só quer fornecer duas máscaras por semana aos trabalhadores

A empresa Socori, detida a 70% pelo grupo Amorim, viola claramente as indicações da Direção-Geral de Saúde no combate à pandemia, segundo a qual uma máscara só deve ser mantida de 4 a 6 horas. Bloco de Esquerda já questionou o governo.
Corticeira do grupo Amorim só quer fornecer duas máscaras por semana a cada trabalhador, violando orientações da DGS
Corticeira do grupo Amorim só quer fornecer duas máscaras por semana a cada trabalhador, violando orientações da DGS

A distrital de Aveiro do Bloco de Esquerda denuncia que a empresa Socori - Sociedade de Cortiças de Rio Meão S.A., situada na freguesia de Rio Meão, concelho de Santa Maria da Feira, informou os seus trabalhadores que estes teriam direito apenas a duas máscaras descartáveis por semana. No início da pandemia, a Socori tinha informado que forneceria uma máscara descartável por trabalhador a cada quatro semanas, posteriormente alterou para uma por semana e atualmente são duas por semana, em alguns setores. Ou seja, a Socori reiteradamente não cumpre as orientações das autoridades de saúde e essa violação acontece repetidamente desde o início da pandemia, colocando em risco a saúde dos seus trabalhadores e da população local.

Em pergunta ao Governo, o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda acusa a empresa de violar as orientações das autoridades de saúde, citando as indicações da Direção-Geral de Saúde (DGS): "a máscara deve ser colocada aquando da entrada na instituição, poderá ser mantida durante 4 a 6 horas e nessa altura substituída, e substituir sempre que estiver húmida".

O Bloco refere também que as orientações da empresa (duas máscaras por semana) são apenas para os setores da produção e não se aplicam a diretores, engenheiros e pessoal de escritório, que têm máscara diferente. Um trabalhador foi despedido porque encontrou no armazém uma caixa de máscaras e começou a usá-las de acordo com as orientações da DGS, denuncia ainda o partido.

“Esta empresa não está a cumprir com as regras de saúde pública e, dessa forma, está a colocar deliberadamente em causa a proteção dos trabalhadores. Os administradores devem, como é óbvio, ser responsabilizados pelo incumprimento da lei e por colocarem em risco a saúde dos trabalhadores”, salienta o documento do Bloco de Esquerda, considerando que “é inadmissível que ainda existam empresas que se recusem a cumprir com as normas da DGS, deixando assim os trabalhadores em risco”.

Ao Governo o Bloco pergunta se tem conhecimento da situação, que medidas serão adotadas face ao “grave atropelo às normas da DGS” cometido pela Socori, se a ACT (Autoridade para as Condições de Trabalho) realizou recentemente ações inspetivas nesta empresa e que ações a ACT vai ter para anular o despedimento ilícito.

Termos relacionados Política
(...)