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Emissão online da Eurovisão pirateada

A emissão online da Eurovisão feita pela televisão israelita foi pirateada. Um falso alerta de míssil surgiu nos ecrãs de quem assistiu às meias finais do concurso por essa via. Uma das bandas que passou às finais, os islandeses Hatari, considerou que se vive na Palestina uma situação de apartheid.
Foto da campanha BDS

A transmissão online da semi-final onde o português Conan Osíris foi eliminado não terá ficado marcada especialmente por telemóveis partidos. Mas certamente que o foi pelos avisos que surgiram nos ecrãs de que estariam iminentes ataques a Tel Aviv.

Ainda a emissão do canal israelita KAN mal tinha começado e já surgia nas imagens um falso alerta supostamente do exército israelita e que avisava acerca de um ataque. Surgiram publicamente mensagens como “risco de ataque de míssil, por favor procure abrigar-se” ou “Israel não está a salvo. Vocês vão ver!” Estas mensagens vinham acompanhadas de montagens com explosões.

O presidente executivo da KAN, Eldad Koblenz, reagiu culpando o Hamas e tentando minimizar a questão “sabemos que num certo momento houve uma tentativa, aparentemente feita pelo Hamas, para tomar conta da nossa emissão digital. Mas alegro em dizer que apenas em alguns minutos controlámos este fenómeno.” Um espaço de tempo que não foi suficiente. O acontecimento foi notado internacionalmente e voltou a chamar a atenção para a ocupação da Palestina num evento que tem feito todos os esforços para afastar a questão.

Recorde-se que houve vários pedidos nacionais e internacionais para que os artistas apurados boicotassem o festival. Em Portugal associações e artistas lançaram apelos ao candidato nacional. Apelos a que se juntou Roger Waters. Também artistas palestinos lançaram o mesmo tipo de apelo a todos os participantes.

Apesar de nenhum dos 41 artistas a concurso terem aderido, pelo menos dois músicos convidados para eventos paralelos decidiram não participar. Conan Osíris optou por não dar ouvidos a estes apelos nem se manifestar sobre a situação do povo palestino.

Uma opção diferente da tomada por uma das bandas que o ultrapassou no concurso. Os islandeses Hatari classificaram a situação em Gaza como “uma das faces mais feias da ocupação” e consideram que toda a Palestina vive numa condição de apartheid. Apesar de terem considerado o boicote, estes artistas dizem que optaram por estarem presentes, visitar Hebron e denunciar de viva voz o que aí viram: “temos esperança de consciencializar o mundo através da Eurovisão”, disseram numa entrevista. Justificaram a sua presença dizendo que “enquanto participantes temos poder para dar conta do verdadeiro absurdo de ter um concurso como este, que é uma coisa bonita – e que é fundado no espírito da unidade e da paz – mas fazê-lo num país marcado pelo conflito e a desunião.”

A última artista a que a mensagem da campanha do grupo internacional Boicote, Desinvestimento, Sanções foi dirigida foi Madonna que se encontra em Israel para atuar na final do concurso. Esta respondeu: “nunca deixarei de tocar música para me encaixar na agenda política de alguém”.

O Hamas e o resto das forças políticas palestinas limitaram-se a não comentar o assunto da emissão pirateada. Nenhuma força palestina tinha, aliás, ameaçado de qualquer forma a realização do espetáculo. As prioridades palestinas parecem ser outras. O concurso da Eurovisão em Tel Aviv acontece ao mesmo tempo que os palestinos lembram o Nakba, a “catástrofe”, ou seja a expulsão de 700 mil pessoas aquando da criação do Estado de Israel há 71 anos.

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