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Emergência de Saúde Pública: 77 organizações de saúde dos EUA exigem ação climática

A crise climática é também uma emergência de saúde. 77 organizações norte-americanas da área da saúde, incluindo por exemplo a Associação Médica Americana e Academia Americana de Pediatria, afirmam-no num apelo ao governo, empresas e comunidades para priorizar a ação contra as alterações climáticas.
Cartaz contra a poluição automóvel.
Cartaz contra a poluição automóvel. Foto de Peter Blanchard/Flickr

Organizações de enfermeiros, médicos, voluntários, trabalhadores da saúde pública lançaram esta semana o “apelo à ação sobre o clima, saúde e equidade”. São, até ao momento, 77 organizações. Há associações da área da saúde de vários Estados norte-americanos e associações com um vasto histórico de ações de responsabilidade social e ambiental. E, para além destas, há as associações nacionais médicas de referência como a Academia Americana de Médicos de Família, a Academia Americana de Pediatria, a Associação Americana de Psiquiatria Comunitária, o Colégio Americano de Médico, a Associação Médica Americana, a Associação Americana Médica das Mulheres, e a Associação Americana de Saúde Pública e a Sociedade de Doenças Infecciosas da América.

Num país onde o governo tenta apagar o termo “alterações climáticas” do vocabulário utilizado nas instituições públicas, depois de ter saído do acordo de Paris sobre redução de gases com efeito de estufa, um apelo como este não deixa de ser significativo.

Este grupo de organizações não pensa que o impacto das alterações climáticas na saúde pública seja apenas um cenário futuro. Trata-se de algo presente porque “a saúde, segurança e bem-estar de milhões de pessoas nos EUA já foram afetadas pelas alterações climáticas causadas pelos humanos” mas que se agravará ainda mais: “os riscos de saúde no futuro serão terríveis se não houver ação urgente para combater as alterações climáticas”.

Nesse sentido, avançam com seis prioridades de forma a melhorar o estado da saúde: cumprir e ultrapassar as metas do acordo de Paris; ter uma política de transição para as energias renováveis que abandone o carvão, o petróleo e o gás natural; encorajar uma mudança da mobilidade automóvel para o transporte público não poluente, a bicicleta ou as deslocações a pé; apoiar a agricultura sustentável e proteger espaços verdes; assegurar que todas as comunidades têm abastecimento sustentável de água potável; assegurar uma “transição justa” para os trabalhadores e comunidades atingidas pelas alterações climáticas.

O apelo desdobra-se ainda em muitos testemunhos particulares de especialistas médicos e técnicos de saúde pública sobre várias das implicações das alterações climáticas para a saúde. Aparna Bole, presidente da Conselho de Pediatria de Saúda Ambiental da Academia Americana, salienta que a pioria da qualidade do ar associada ao aquecimento global tem impactos diretos nos paciente. Por exemplo, na zona de Cleveland onde exerce a sua atividade uma em cada cinco crianças sofre de asma. Bole culpa ainda a queima de combustíveis fósseis pelo aumento dos números de prematuros e pela descida do peso dos recém-nascidos.

À Associated Press, Ed Maibach, direto do Centro para a Comunicação das Alterações Climáticas da Universidade George Mason, afirmou que esta declaração pode contribuir para uma mudança na imagem que os norte-americanos têm das alterações climáticas como algo que é “primariamente uma ameaça a coisas no meio ambiente”, uma vez que as associações de saúde “salientam a realidade atual da situação, salientam que isto é também uma ameaça à nossa saúde e ao nosso bem-estar agora… e que se vai tornar pior, muito pior, se não agirmos.”

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