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“A emergência da extrema-direita nos nossos dias é fruto de uma crise geral do capitalismo”

Fernando Rosas salientou também que “tal como o fascismo no passado” são outros pontos comuns “subverter a relação de forças entre o capital e o trabalho” e a atitude da direita tradicional de render-se primeiro ao neoliberalismo e agora aliar-se à extrema-direita.
Fernando Rosas na sessão internacionalista da XI Convenção do Bloco - Foto de Paulete Matos
Fernando Rosas na sessão internacionalista da XI Convenção do Bloco - Foto de Paulete Matos

Fernando Rosas começou a sua intervenção com uma saudação especial aos parlamentares da esquerda italiana presentes na sessão, “que hoje representam a primeira linha do combate contra os populismos de extrema-direita na Itália e na Europa”. Referindo-se à “emergência rompante” da extrema-direita na Europa, nos EUA e na América Latina, o historiador mencionou a eleição do fascista Bolsonaro no Brasil como um facto que “está a soar como uma sirene de alarme” à escala Internacional. “Como se a história se repetisse, a ameaça espectral do fascismo, sob novas e velhas formas de autoritarismo antidemocrático, paira novamente sobre o presente e o futuro”.

Rosas passou então a comparar a época dos fascismos dos anos 20/30 do século passado com os de hoje, não porque a história se repita, mas porque “circunstâncias historicamente idênticas possam dar lugar a fenómenos da mesma natureza, ainda que distintos na sua concretização”.

“Tal como o fascismo no passado”, apontou, “a emergência da extrema-direita nos nossos dias é fruto de uma crise geral do capitalismo, da sua degenerescência financeira e especulativa, do seu efeito sobre as taxas de acumulação e de lucro.”

Outro ponto em comum são os objetivos precisos da ofensiva do capital: “subverter a relação de forças entre o capital e o trabalho contra tudo o que o mundo assalariado conquistou nos planos político, social e cultural”. E também a atitude da direita tradicional de render-se primeiro ao neoliberalismo e agora aliar-se à extrema-direita. Esta cavalga demagogicamente o descontentamento setores da sociedade mais atingidos pelas políticas predadoras do capitalismo.

“A nova postura de complacência e de normalização da extrema-direita e de apoio, envergonhado ou não, ao fascista Bolsonaro assumidos no nosso país por Paulo Portas, Assunção Cristas pelo grupo do Observador”, evidencia que “há uma nova atitude da direita portuguesa”, a da “aliança potencial com o populismo de extrema-direita”.

O histórico dirigente do Bloco concluiu com um apelo às esquerdas socialistas, “a quem compete não repetir os erros de capitulação ou de sectarismo que tragicamente as dividiram no passado, abrindo caminho ao nazi-fascismo”.

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