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Embaixada de Cuba em Paris alvo de ataque

Na noite de segunda-feira foram atirados três cocktails molotov contra o edifício, causando danos nas fachadas. Partido da Esquerda Europeia exige que se esclareçam os factos deste ataque e que quem tenha violado a lei seja responsabilizado.
Embaixada de Cuba em Paris. Foto de IAN LANGSDON, Epa/Lusa.

O ataque foi perpetrado por dois indivíduos que ainda não foram identificados. De acordo com as autoridades francesas, não foi ferido nenhum funcionário diplomático. Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês condenou o ataque, explicando que o mesmo “causou danos materiais, mas nenhuma vítima”. O responsável adiantou ainda que será conduzida uma investigação para apurar responsabilidades e que foram implementadas “medidas para reforçar o dispositivo de segurança nos arredores da Embaixada”.

Esta quarta-feira, o Partido da Esquerda Europeia (PEE) expressou, em comunicado a que o Esquerda.net teve acesso, o seu “retumbante repúdio e preocupação” face ao ataque. O PEE exige que se esclareçam todos os factos e que quem tenha violado a lei seja responsabilizado.

Na missiva é ainda reforçado o apelo ao fim do bloqueio criminal dos Estados Unidos: “O povo cubano é soberano para decidir o seu presente e o seu futuro, basta já de ingerências e ataques”.

O PEE diz “alto e claro que há que acabar com o bloqueio criminoso que vulnerabiliza o direito internacional e é um claro ataque contra os direitos humanos”.

Multiplicam-se apelos contra bloqueio

Na passada sexta-feira, foi publicada no New York Times uma carta aberta subscrita por 440 personalidades mundiais, entre as quais Oliver Stone, Jane Fonda, Lula e Noam Chomsky, que exortam o presidente dos Estados Unidos a acabar com as 243 “medidas coercitivas” criadas pelo ex-presidente Trump.

“Quando a pandemia atingiu a ilha, o seu povo e o seu governo perderam milhares de milhões em receitas do turismo internacional que normalmente iriam para o sistema público de saúde, distribuição de alimentos e ajuda financeira”, referem, lembrando que a 23 de junho a maioria dos Estados membros das Nações Unidas votaram para pedir aos EUA o fim do embargo, como acontece há 30 anos.

“Parece-nos inconcebível, especialmente durante uma pandemia, bloquear intencionalmente as remessas e o uso de instituições financeiras globais por parte de Cuba, visto que o acesso a dólares é necessário para a importação de alimentos e medicamentos”, continuam.

Os mesmos argumentos foram replicados pelo presidente mexicano que, esta terça-feira, sublinhou que “há uma situação delicada em Cuba porque estão a sofrer com o bloqueio”, algo que Andrés Manuel Lopez Obrador considera “desumano porque é uma medida extrema, medieval, que mostra um grande atraso na política externa [dos Estados Unidos]".

“Não se pode deixar à sua sorte um povo à fome e à mercê de doenças", frisou, alertando que “por causa desse bloqueio é difícil [os cubanos] comprarem alimentos, medicamentos e oxigénio".

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