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Em risco de extradição da Suécia, "Zinar está a ser sacrificado no altar da NATO"

Na véspera de uma reunião entre os líderes escandinavos e o ditador Erdogan, o jovem ativista curdo Zinar Bozkurt foi detido na Suécia e pode ser o primeiro a ser extraditado para a Turquia. Advogado vai recorrer à justiça europeia.
Em greve de fome desde sábado, Zinar Bozkurt recorreu à justiça europeia para travar a extradição. Foto Hz.NÛBAR/Twitter

Zinar Bozkurt tem 26 anos anos e vive há oito anos na Suécia. Homossexual assumido e ativista pelos direitos do povo curdo, foi detido na semana passada por ter visto o seu pedido de asilo recusado e arrisca-se agora a ser extraditado para a Turquia, num sinal de obediência do governo sueco às exigências de Erdogan para permitir a entrada do país na NATO. Desde sábado, encontra-se em greve de fome na prisão em protesto contra a ameaça de extradição.

A detenção de Zinar desencadeou inúmeros apelos nas redes sociais para a sua libertação e contra a intenção de extraditá-lo. O jovem curdo integrou o partido progressista HDP na Turquia e a recusa sueca em atribuir-lhe o estatuto de refugiado e a autorização de residência, na opinião do seu advogado, Abdullah Deveci, tem o dedo dos serviços secretos suecos Säpo, que há anos colaboram de perto com os congéneres turcos do MIT.

Para Deveci, o facto de Zinar ter sido considerado elegível para uma autorização de residência que depois lhe foi negada significa que "a avaliação dos serviços de segurança suecos é política, tal como o é a decisão da Agência de Imigração".

"A razão pela qual considero ilegal a extradição é que Zinar chegou à Suécia com uma licença de trabalho. No início também não teve problemas na Turquia, mas agora a Säpo chamou-lhe terrorista e fez dele um alvo para o regime fascista turco. Enfrenta 10 anos de prisão por causa da política da Säpo e será sujeito a tortura na Turquia. Num país onde tais riscos existem, a Suécia, com a sua história de direitos humanos, não deve enviar ninguém. Esperamos que o tribunal da UE leve o caso a sério e seja capaz de impedir a extradição", afirmou o advogado ao jornal italiano Il Manifesto.

O facto de Zinar não constar da lista de nomes entregues pela Turquia ao governo sueco para serem extraditados em troca da luz verde da adesão à NATO também levanta críticas quanto às intenções do governo sueco, numa altura em que o país está em plena campanha eleitoral para as legislativas de 11 de setembro, com a segurança e o uso de armas de fogo em destaque após uma série de tiroteios entre grupos de jovens. Abdullah Deveci não tem dúvidas sobre a coincidência do momento da detenção do seu cliente e da reunião etre Suécia, Finlândia e Turquia esta semana: "Zinar está a ser sacrificado no altar da NATO".

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