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“Em Portugal, o PS mantém defesa acrítica do Tratado Orçamental”

Em entrevista ao Jornal de Negócios, Marisa Matias afirma que os últimos anos mostraram que o confronto com Bruxelas, imposto pelo acordo à esquerda, deu bons resultados para Portugal. E vê Centeno mais confortável no Eurogrupo, onde pode aplicar o programa económico que defendia para o país e foi travado pelos partidos à esquerda.
Marisa Matias
Foto Paula Nunes.

A eurodeputada e cabeça de lista do Bloco às eleições europeias defende em entrevista ao Jornal de Negócios que o eleitorado entende a necessidade de confrontação com a lógica dos tratados europeus. “Foi por se ter confrontado Bruxelas que se conseguiu alguma coisa” na atual legislatura, diz Marisa Matias.

Na mira da eurodeputada está o Tratado Orçamental e o Partido Socialista, que no Parlamento Europeu votou ao lado do Bloco para que o Tratado não seja integrado na legislação comunitária, mas que em Portugal “mantém a defesa acrítica dos benefícios não provados, e contrariados pela realidade, do Tratado Orçamental”.

Quanto à prestação do ministro das Finanças português e presidente do Eurogrupo, Marisa não tem dúvidas de que Centeno “está mais confortável” no último cargo. “Centeno à frente do Eurogrupo tem tido espaço para dar asas ao que terá sido o seu verdadeiro programa económico em Portugal se não houvesse a geringonça”, sublinha a eurodeputada.

Nesta entrevista, Marisa Matias defende ainda a restruturação da dívida como algo “inevitável” num espaço económico onde mais de metade dos países tem um nível de dívida acima dos 60% inscritos no Tratado Orçamental. “O Bloco defende um acordo para uma renegociação multilateral das dívidas públicas”, resume.

Marisa critica ainda a perda da capacidade de cada país definir as suas escolhas orçamentais e defende que não pode haver mais cedências de soberania e o que é necessário é “recuperar em áreas em que nos foi retirada”. Em vez das chamadas “reformas estruturais” que mais não são do que redução da despesa pública, menos investimento e menos direitos para quem trabalha, Marisa defende que o que Portugal precisa é de medidas em sentido contrário à receita prescrita por Bruxelas: “precisamos de reforçar o investimento nos serviços públicos, recuperar os mecanismos de contratação coletiva e reduzir a precariedade laboral”.

Numa entrevista dominada pelos temas europeus, Marisa respondeu ainda a questões relacionadas com as perspetivas de uma Parlamento Europeu mais fragmentado a partir de maio, com o crescimento dos grupos xenófobos e a eventual perda de maioria do bloco central em Estrasburgo. “As políticas de extrema-direita começaram a entrar no projeto europeu mesmo antes das forças de extrema-direita estarem no poder, como uma espécie de tentativa de evitar o seu crescimento”, refere a eurodeputada do Bloco, que teme a possibilidade de mais alianças entre a direita e a extrema-direita europeia, à semelhança do que aconteceu recentemente na Andaluzia.

“O risco é que todas as declarações de princípios da direita democrática se esbatam ou desapareçam no dia a seguir às eleições e que construam alianças com a extrema-direita”, teme Marisa Matias.

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