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Em Lesbos, Papa Francisco pede o fim do “naufrágio civilizacional”

No campo de migrantes de Mavrovouni, na ilha de Lesbos, o Papa denunciou que o Mediterrâneo “está a tornar-se um cemitério frio sem lápides”, e pediu mais solidariedade por parte da União Europeia.
Foto de Alessandro di Meo, via ANSA/EPA/Lusa.

O Papa Francisco pediu este domingo o fim de um "naufrágio da civilização" num discurso no campo de migrantes Mavrovouni, em Lesbos, cinco anos após a sua primeira visita a esta ilha grega emblemática na crise migratória. 

O Mediterrâneo “está a tornar-se um cemitério frio sem lápides”, asseverou. “Peço-vos, vamos parar com este naufrágio da civilização”. E pediu uma melhor integração dos migrantes numa Europa que, segundo ele, luta para mostrar a sua solidariedade, relata a agência Lusa.

"Não vamos deixar o ‘mare nostrum’ [nosso mar] transformar-se num desolado ‘mare mortuum’ [mar de morte], nem deixar este ponto de encontro tornar-se uma cena de conflito. Eu imploro: vamos parar este naufrágio da civilização”, apelou.

Depois de ter saudado muitos migrantes durante um passeio a pé pelo campo, Francisco afirmou que a migração "é um problema do mundo", "uma crise humanitária que afeta a todos", mas que ninguém parece cuidar, apesar do facto de que "pessoas, vidas humanas, estão em jogo."

“Estou aqui para vos dizer que estou perto de vós, estou aqui para ver os vossos rostos, para olhar nos vossos olhos: olhos cheios de medo e esperança, olhos que viram violência e pobreza, olhos cheios de muitas lágrimas", declarou.

O campo de Mavrovouni ainda abriga cerca de 2.200 requerentes de asilo, em condições difíceis, quase 70% afegãos e um terço menores. 

Quarenta requerentes de asilo, na sua maioria católicos dos Camarões e da República Democrática do Congo (RDC), estiveram presentes juntamente com vários líderes religiosos e da presidente grega Katerina Sakellaropoulou, de Margaritis Schinas, vice-presidente da Comissão Europeia, e de Notis Mitarachi, ministro grego das migrações.

"É a primeira vez que me encontro com o Papa, não creio que tenha a oportunidade de o ver novamente na minha vida. Nós somos humanos, nós os refugiados”, protestou, “devemos ser tratados como humanos e não como prisioneiros”, disse Orphée Madouda.

De acordo com a Organização para as Migrações (OIM), até agora, durante este ano, morreram cerca de 1.600 migrantes a tentar chegar à Europa por barco. Desde o início da crise, estima-se que já morreram para cima de 40 mil pessoas no Mediterrâneo.

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