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Em Itália é assassinada uma mulher a cada três dias

Dados publicados pelo Ministério do Interior italiano esta segunda-feira revelam que 125 mulheres foram vítimas de femicídio entre 1 de agosto de 2021 e 31 de julho de 2022, sendo a grande maioria morta em contexto familiar. Em média, é assassinada uma mulher a cada três dias em Itália.
Foto de Thomas Hawk, Flickr.

O número de femicídios registados neste último ano representa um aumento de quase 16% em comparação com 108 no mesmo período do ano anterior. Das 125 mulheres vítimas de femicídio entre 1 de agosto de 2021 e 31 de julho de 2022, 108 foram assassinadas em ambiente “familiar-emocional”, com 68 mulheres mortas pelos seus companheiros ou ex-companheiros.

“Os dados do Ministério do Interior falam por si: se outros crimes estão a diminuir, os femicídios estão a aumentar”, disse Elisa Ercoli, presidente da Differenza Donna, organização que visa combater a violência de género e promover os direitos das mulheres.

“Isso é uma consequência clara de uma total subestimação da política institucional para esse tipo de crime”, continuou a ativista, citada pelo The Guardian.

Tendo por base dados de 2018, um relatório publicado em novembro passado pelo Instituto Europeu para a Igualdade de Género colocou a Itália em nono lugar entre 15 países da UE em número de assassinatos de mulheres por companheiros ou ex- companheiros e em décimo lugar no que respeita a femicídios cometidos por familiares.

“Se olhar para os dados dos últimos cinco anos, os números não são tão diferentes de um ano para o outro”, frisou Luisa Rizzitelli, coordenadora em Itália do One Billion Rising, a rede global que luta pelo fim da violência contra as mulheres.

Luisa Rizzitelli considera “aterrorizante” o facto de “nunca parecemos ser capazes de mudar de direção”.

“O facto de o número de assassinatos de mulheres estar a aumentar é uma prova do fracasso das políticas que temos em vigor. Há sempre cerca de 100 ou mais femicídios por ano, e isso, num país civilizado, é inaceitável”, avançou.

De acordo com o jornal britânico, o mais recente femicídio registado em Itália, que já não foi incluído nas estatísticas citadas, ocorreu a 7 de agosto, quando Silvana Arena, de 74 anos, foi espancada até a morte com um pedaço de pau, supostamente pelo marido, na sua casa em Venaria, perto de Turim.

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