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Em Gaza e em Bruxelas, vozes que rompem o cerco

A solidariedade com a Palestina tem marcado os mandatos do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu. Tal como Miguel Portas, as eurodeputadas Marisa Matias e Alda Sousa integraram as campanhas pelo fim do cerco a Gaza e confrontaram Bruxelas com as suas responsabilidades na mediação do conflito. Artigo de Ana Catarino.
Marisa Matias discursou em Gaza em novembro de 2011, numa iniciativa contra o bloqueio promovida pelo Conselho para as Relações Europeias e Palestinianas (CEPR). Foto CEPR.

Em Janeiro de 2010, Marisa Matias integrou uma comitiva do Parlamento Europeu, conjuntamente com outros 15 membros, numa visita à Faixa de Gaza, sendo então a única eurodeputada portuguesa a integrar a comitiva. Esta foi a primeira iniciativa do mandato na região. No mandato anterior a representação fora sempre assegurada por Miguel Portas, cuja ligação à região era conhecida.

A iniciativa fez parte da Campanha Europeia para o Fim do Cerco a Gaza, passado um ano sobre a invasão militar desencadeada por Israel sobre o território. A visita teve na agenda um encontro com responsáveis palestinianos e membros da Liga Árabe (no Egipto) e, em Gaza, observar no local os efeitos que a guerra tem provocado no território.

Esta campanha, em boa verdade, tinha já começado em 2006 contando, aquando da visita, com o apoio de cerca de 30 organizações não governamentais, que no terreno se confrontam com os efeitos humanitários dramáticos com que, quotidianamente, se deparam cerca de milhão e meio de pessoas, presas entre Israel e Egipto (na época com ambas as fronteiras encerradas).

A visita revelou-se um marco importante por representar o abrir duma brecha no cerco a que estava sujeito aquele território. Não só os 15 membros do Parlamento Europeu conseguiram chegar até Gaza, como puderam testemunhar em primeira pessoa as condições de vida a que estavam, e estão, sujeitas aquelas pessoas. Desta forma chamaram também a atenção para a necessidade, contínua, que o debate não se esfume e se encontre uma solução de paz para aquela parte do globo. E também para que a União Europeia não se pode alhear e abdicar do seu papel enquanto mediador do conflito. Foi também nessa qualidade que Marisa Matias foi, enquanto membro das delegações do Parlamento Europeu de Relações com o Conselho Legislativo Palestiniano e de Relações com Países do Mashreq (Egipto, Jordânia, Líbano e Síria).

Esta visita marcou também o que seria uma parte do trabalho da delegação do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu, nomeadamente no que diz respeito às intervenções e iniciativas ligadas à defesa dos direitos humanos. A eurodeputada esteve presente em Gaza mais uma vez, em finais de 2011, desta feita fazendo parte da uma delegação da Organização para as Relações Europeias e Palestinianas. E já depois disso visitou campos de refugiados palestinianos, nomeadamente no Líbano. No Líbano visitou ainda campos de refugiados sírios que fugindo da guerra chegavam àquele país em busca de refúgio.

Também Alda Sousa, em 2012, se desloca a Gaza numa visita organizada, mais uma vez, pelo Conselho para as Relações Europeias-Palestinianas. O programa centrou-se em encontros com as autoridades palestinianas e organizações que no terreno tentam minorar o impacto do isolamento a que o território está forçado. 
Desloca-se ainda uma última vez, já em final de mandato, para marcar presença numa conferência que teve lugar em Ramalah, intitulada “Freedom & Dignity” (Liberdade e Dignidade) que pretendeu discutir a situação dos presos políticos palestinianos detidos em prisões israelitas. O caso de Marwan Barghouthi foi naturalmente um dos pontos em discussão, por passarem 11 anos desde a sua detenção, e por ter sido ele o primeiro parlamentar palestiniano a ser preso.

A situação dos cerca de 4500 presos palestinianos, entre eles 15 eleitos do Conselho Legislativo da Palestina, tem sido um dos pontos em cima da mesa nas negociações, e importante para a resolução do conflito. Fazer uma conferência que conta a presença, entre outros, membros do Parlamento Europeu foi, mais uma vez, chamar as instâncias europeias para a discussão.

Estas visitas e iniciativas, não sendo trabalho parlamentar de comissão, são uma parte fundamental do trabalho que pode e deve ser desenvolvido no, e pelo, Parlamento Europeu. Significa perceber qual o papel que pode a União Europeia desempenhar enquanto força de paz, mas também na definição do que se entende deva ser a Europa enquanto comunidade.

A questão dos direitos humanos, dentro e fora da União, é uma questão central, ainda para mais em tempos como os de crise que enfrentamos. Lampedusa lembra-nos isso continuamente.

Mas também o que se passa no Médio Oriente nos lembra o que tem sido o papel da Europa nestes conflitos e o que pode fazer para que, nomeadamente na Palestina, seja de uma vez encontrada uma solução de paz.

O video que se segue foi feito aquando da segunda visita a Gaza, em finais de 2011, já depois do ataque das tropas israelitas à Flotilha, que no início do ano tinha tentado quebrar o cerco chegando a Gaza por mar.

Marisa Matias - Gaza: the time for words is gone - 2011/11/22 (integral)

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