Está aqui

Eletricidade cortada em Paris contra a reforma das pensões

A zona sul de Paris, onde se situa o aeroporto de Orly e o mercado de Rungis, foi afetada esta manhã por um corte de eletricidade reivindicado pela CGT em protesto contra a reforma das pensões. 35 mil lares e empresas foram afetados.
Manifestantes contra a reforma das pensões de Macron. Janeiro de 2020.
Manifestantes contra a reforma das pensões de Macron. Janeiro de 2020. Fonte: Facebook/CGT

Os trabalhadores do setor da energia do sindicato CGT assumiram o corte de eletricidade que afetou esta manhã a zona sul de Paris durante cerca de três horas. Não é o primeiro corte de energia efetuado por trabalhadores ligados a esta central sindical desde o início do movimento contra a reforma das pensões. Mas é a primeira vez que um corte desta dimensão é feito na capital.

Para além de 35 mil casas particulares e empresas, nas comunas de Orly, Rungis, Fresnes, Thiais, Wissous e Antony, o corte abrangeu a área do aeroporto de Orly e do grande mercado de frescos da cidade em Rungis que se estende por 234 hectares. Nenhum dos dois viu realmente a energia cortada. O aeroporto de Orly tem geradores próprios, protegidos, por isso não se sentiu o corte no abastecimento. Mas a linha de comboio de Orlyval, que o serve, foi. Tal como a rede de elétricos desta zona. Vários dos hotéis das redondezas ficaram paralisados sem serviços. No mercado de frescos de Rungis foi ativada a rede de emergência.

A CGT-Energia de Val-de-Marne diz que a ação pretende “ter um impacto na economia e sobretudo fazer-nos ouvir.” Os trabalhadores deste setor sentem que “se fala pouco deles” e querem mostrar que também “são afetados pela reforma”. Dizem ainda que “o governo não reage às manifestação.”

Os sindicatos continuam desta forma a sua estratégia de retirar o foco exclusivo na greve dos transportes públicos, nomeadamente na RATP, empresa de transporte de Paris, e no SNCF, companhia ferroviária francesa.

Contudo, o mesmo dirigente sindical da da CGT-Énergie, Franck Jouanno, desdramatiza as consequências deste tipo de ação reivindicativa: “não é o fim do mundo ter um corte de energia. Em geral não dura mais do que uma manhã”. Ao ministro da Coesão Territorial, Julien Denormandie, que falou em ato “irresponsável”, que “destrói o diálogo social” e coloca em perigo as pessoas a receber assistência respiratória, respondeu ponto por ponto. Jouanno questionou “havia um diálogo social? E o plano das reformas não é irresponsável?” e explicou “ninguém foi colocado em perigo pelos cortes de energia desta manhã. As pessoas que têm assistência respiratória são pessoas que sofrem de apneia do sono, por exemplo. Não há nenhuma situação vital. Nenhum hospital se situa no setor dos cortes.”

Na próxima sexta-feira o braço de ferro vai regressar em força. Nesse dia, a reforma das pensões vai ser apresentada em conselho de ministros e mais uma jornada de luta massiva trará os trabalhadores e estudantes às ruas de todo o país.

(...)