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EDP responde a acusações com vídeo de propaganda

A poucos dias da reunião de acionistas para reconduzir António Mexia à frente da EDP, a empresa divulga um vídeo sobre os CMEC sem referências ao escândalo das rendas excessivas e às acusações de corrupção.

No vídeo lançado esta semana e legendado em inglês, a EDP conta a sua versão das alterações que ditaram a passagem dos Contratos de Aquisição de Energia (CAE) para o mecanismo dos Custos de Manutenção de Equilíbrio Contratual (CMEC).

A empresa argumenta que se tratou de uma operação perfeitamente natural e que até foi prejudicada financeiramente em relação às empresas que mantiveram os CAE.

Para o deputado bloquista Jorge Costa, a narrativa da EDP omite alguns dados importantes: por exemplo, em momento algum se refere que “a Entidade Reguladora ERSE calcula em 510 milhões de euros os ganhos concedidos à EDP na passagem dos CAE para os CMEC” ou que “grande parte desses ganhos resultam de decisões administrativas já consideradas nulas pela Procuradoria e pelo Governo”.

Por outro lado, o vídeo também não faz nenhuma referência ao facto da passagem dos CAE para os CMEC estarem a ser alvo de uma investigação do Ministério Público por corrupção ativa e passiva e participação económica em negócio, com a constituição de vários arguidos. Entre eles estão o próprio António Mexia, que no próximo dia 5 de abril deverá ser reconduzido à frente da empresa. O presidente da EDP Renováveis, João Manso Neto e dois dirigentes da REN, Pedro Furtado e João Faria Conceição, ex-consultor do ministro Manuel Pinho, são outros dos arguidos nesta investigação.

Para Jorge Costa, o lançamento deste vídeo de propaganda pela EDP é “um bom sinal”, ao mostrar que “a pressão política e dos consumidores já forçou a empresa a quebrar o silêncio sobre este tema”. Mas “o filme já vai longo” e “é hora de compensar quem foi forçado a pagar o que não devia”, conclui o deputado do Bloco.

 

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