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EDP: Catroga faltou a metade das reuniões no Conselho Geral

Eduardo Catroga vai ganhar 700 mil euros para presidir ao Conselho Geral da EDP, de que fez parte nos últimos anos. Mas para Francisco Louçã, não será o registo de presenças do ex-conselheiro de Passos Coelho a explicar a sua nomeação: nas dez reuniões efetuadas em 2010 e no primeiro semestre de 2011, Catroga só apareceu a metade. Ou seja, se lhe fossem aplicadas as regras que o Governo impõe à sociedade, tinha sido despedido.
Se as regras do acordo de concertação se aplicassem a Catroga, já tinha sido despedido da EDP e não premiado com 700 mil euros/ano. Foto RTP/Flickr

A questão foi levantada esta sexta-feira no debate quinzenal com o primeiro-ministro. Francisco Louçã confrontou Passos Coelho com o pobre registo de presenças de Catroga enquanto vogal daquele organismo da EDP.

"Deve lembrar-se de um conselheiro seu que recomendava, e está no programa de Governo, que se baixasse os salários a todos os portugueses, é claro que ele não estava a pensar em si próprio e não estava a antecipar que viesse a ganhar 700 mil euros por um ´part-time' de sete reuniões por ano", disse Francisco Louçã. Na resposta, Passos Coelho refugiou-se no argumento de que o Governo não nomeia ninguém para empresas privadas e convidou Louçã a fazer a pergunta aos acionistas da EDP.

No primeiro semestre do ano passado, os últimos dados revelados pela EDP confirmam que o ex-conselheiro de Passos Coelho - que foi também o primeiro patrão do agora primeiro-ministro, na empresa Quimibro - compareceu a apenas uma das três reuniões do Conselho Geral. "Imagine que se lhe aplicava qualquer regra do trabalho. O que é que lhe aconteceria se fosse um trabalhador? Inadaptação? Despedimento? Ser-lhe-ia pago o ordenado?", questionou o deputado bloquista.

"Segundo o seu acordo de concertação, todas as formas de despedimento são possíveis. Mas a regra que se aplica a um trabalhador já não se aplica a quem tem o beneplácito do seu partido. Isto já não é jobs for the boys, é joys for the boys", rematou Louçã.

O registo de presenças nas reuniões do Conselho Geral da EDP está disponível no site da empresa. E confirma que Catroga é dos conselheiros com mais faltas no último mandato, após ter sido nomeado pelo ministro do PS Manuel Pinho. 

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