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“A economia que precisamos respeita quem trabalha, cria valor, responde à crise climática”

Catarina Martins visitou a CP Manutenção em Guifões, onde sublinhou que a aposta na ferrovia “é fundamental” e que é preciso que, em Portugal, haja capacidade de construção e não apenas de reparação, além de mais linhas para garantir direito à mobilidade.
Catarina Martins e José Soeiro em Guifões na CP Manutenção.
Catarina Martins e José Soeiro em Guifões na CP Manutenção.

Catarina Martins visitou esta segunda-feira as instalações da ex-EMEF de Guifões, em Matosinhos. Foi uma ocasião para unir direitos dos trabalhadores, direito à mobilidade e questões ambientais.

A coordenadora do Bloco começou por destacar que a ferrovia “é uma prioridade, há muito,” do partido, que tem lutado “muito para que Portugal tivesse capacidade” no setor. Recordou, aliás, que em 2015, quando se fez o acordo de legislatura”, o primeiro projeto lei que o Bloco apresentou foi para que se fizesse o Plano Ferroviário Nacional.

Esta luta foi feita contra quem “há uns anos” dizia “que não havia nada a fazer senão desistir de qualquer capacidade ferroviária em Portugal, a EMEF ia ser privatizada, a CP Carga foi privatizada”. A aposta do Bloco provou que “é possível” fazer “outro caminho” e que “quando fazemos este caminho a nossa economia fica mais forte, combatemos o endividamento do país, estamos a fazer um caminho de transição energética muito importante para as alterações climáticas, respeitemos também quem trabalha”.

Isto apesar de ainda estarmos atualmente “muito longe de todo o investimento que é preciso, ainda há tantos sítios deste país que não têm comboio”, até capitais de distrito. A dirigente bloquista defende que “é fundamental” que, em Portugal, haja capacidade de construção e não apenas de reparação, que “temos de ter mais capacidade na ferrovia e temos de respeitar os direitos de quem aqui trabalha”.

Sobre a situação laboral depois da extinção da EMEF, Catarina Martins explica que “há trabalhadores que estão mais ou menos no limbo”, que existem trabalhadores muito especializados a receber pouco acima do salário mínimo nacional e “com uma progressão na carreira que os faz ir até ao salário mínimo espanhol”.

Para a coordenadora bloquista, a “economia de que precisamos” é a que “respeita quem trabalha”, a “economia especializada que cria valor, que diminui o endividamento do país e que responde até à crise climática”.

Sindicato contra “clima de precariedade” na antiga EMEF

Nesta visita esteve presente Rúben Silva, do Sindicato dos Trabalhadores do Metro e Equipamento Ferroviário, que detalhou a situação destes trabalhadores da Manutenção CP que, desde janeiro de 2020, foram integrados na CP e a quem “foi cortado o seu subsídio de transporte e não viram a sua atualização salarial para as tabelas CP”.

Com o fim da EMEF, o regulamento de carreiras e acordo de empresa não transitaram para a CP. Os trabalhadores ficaram “numa situação precária porque têm baixos salários”. E “até hoje o Governo e a administração não os têm conseguido integrar na CP definitivamente”.

O dirigente sindical explica ainda que embora a empresa esteja a formar permanentemente trabalhadores, “infelizmente perde trabalhadores com muita facilidade” porque a “concorrência a nível da manutenção é muito grande”. A solução seria a integração definitiva na CP, que garantisse direitos e estabilidade para que “deixem de viver este clima de precariedade”.

Os trabalhadores querem ser integrados para terem uma estabilidade na sua carreira profissional e que possam ter objetivos e ver o seu futuro na CP reconhecido por parte da administração e Governo. Esta integração evitaria que fossem afetados por “mudanças políticas” que possam levar à privatização e também garantiria “um serviço público de ferrovia, de qualidade, a baixo custo e que permita ao nosso país progredir e até atingir as metas climáticas a que nos tínhamos proposto”, acrescentou Rúben Silva.

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