Está aqui

Economia global à beira de uma nova recessão?

Sinais de abrandamento económico acumulam-se por todo o mundo, agravando receios de uma nova recessão global. A guerra comercial entre os EUA e a China pode ser o empurrão decisivo. Esta semana, preocupação estendeu-se aos grandes bancos americanos.
Wall Street. Foto de Alex Proimos/Flickr.
Wall Street. Foto de Alex Proimos/Flickr.

Estará a economia mundial à beira de uma nova recessão? Há sinais a apontar nesse sentido, e o escalar da guerra comercial entre EUA e China poderá dar o empurrão que faltava. Hoje, alguns dos maiores bancos americanos juntaram a sua voz aos alertas para esse cenário, no qual têm muito a perder.

Segundo a agência financeira Bloomberg, o banco Morgan Stanley afirma num relatório que os mercados financeiros estão a subestimar as consequências da guerra comercial iniciada entre os EUA e a China. Se Donald Trump, que deu o tiro de partida no confronto, aplicar 25% de taxas alfandegárias sobre 300 mil milhões de dólares em produtos chineses que os EUA importam atualmente, e a China retaliar, a economia global entrará em recessão dentro de 9 meses, estima o banco. O Goldman Sachs, um pouco menos pessimista, afirmou calcular de momento que essas taxas alfandegárias se fiquem por 10%, e está a contar também com taxas sobre produtos mexicanos. Não prevê uma recessão, mas reviu em baixa de 2,5% para 2% o crescimento da economia americana previsto para a segunda metade deste ano. Por sua vez, o JPMorgan Chase, não prevendo tão pouco uma recessão nos EUA, considera que as hipóteses de se verificar na segunda metade de 2019 aumentaram de 25% para 40%.

Sendo os EUA e a China as duas maiores economias do mundo, qualquer choque nelas tem consequências pesadas sobre a economia global e acelera o deslize rumo à recessão. Além disso, os grandes fatores da crise global que se iniciou há uma década atrás foram mitigados mas não resolvidos. Por essa razão, economistas e analistas têm estado muito mais alerta do que no passado para quaisquer sinais de uma nova recessão global no horizonte.

Nesse sentido, o mercado de dívida norte-americano deu há pouco um sinal preocupante. O New York Times notou a semana passada que os títulos do tesouro americano a pagar a 3 meses estavam a dar mais retorno que os títulos a 10 anos — em condições normais, o retorno é sempre mais alto no segundo caso, pois os investidores ficam em contrapartida com o dinheiro imobilizado mais tempo. Este fenómeno, conhecido como inversão, em que a dívida pública de curto prazo começa a render mais que a de longo prazo, faz soar os alarmes em Wall Street, pois precedeu todas as recessões importantes nos últimos 60 anos — embora a recessão ainda tenha levado tempo a chegar, até dois anos nos casos mais morosos.

Por outro lado, os indicadores de produção, dos primeiros a dar sinal quando a economia fraqueja, também dão conta de um abrandamento. Nos EUA, a produção industrial e a atividade no setor da construção estagnou em maio. Na Europa, também em maio, a produção industrial estagnou na zona Euro, e no Reino Unido registou mesmo a maior contração dos últimos três anos. Registou-se contração igualmente no Japão, Coreia do Sul, Malásia e Taiwan.

Se estes sinais já preocupavam os analistas económicos, o desencadear por Donald Trump de uma guerra comercial com a China agravou as preocupações. Neste momento, concentram-se muitas expectativas numa cimeira do G20 a realizar no final de junho em Osaka, onde há a possibilidade de Trump e Xi Jinping se encontrarem. Caso cheguem a algum entendimento para deter o conflito, os agentes económicos respirarão de alívio. Mas qualquer alívio arrisca-se a ser passageiro, pois os dados revelam um problema mais fundamental que as extravagâncias do presidente americano.

Termos relacionados Economia, Sociedade
(...)