Está aqui

“É prioritário um acordo para que os salários e os direitos do trabalho sejam levados a sério”

Num encontro com trabalhadoras e trabalhadores das cantinas, Catarina Martins afirmou: “Não é possível dizer a quem trabalha toda uma vida que trabalhará sempre a ganhar o salário mínimo ou condenar pessoas de quem dependemos para que este país funcione a contratos precários ano após ano”.
Catarina Martins com trabalhadoras das cantinas - Foto de Pedro Almeida
Catarina Martins com trabalhadoras das cantinas - Foto de Pedro Almeida

Catarina Martins teve este sábado um encontro com trabalhadoras e trabalhadores de cantinas da Escola Soares dos Reis no Porto, acompanhada pelo deputado José Soeiro e pela deputada Isabel Pires.

“Estamos com pessoas que têm anos de trabalho, muitos anos nalguns casos, que ganham o salário mínimo nacional, não saem do salário mínimo nacional, e mais, sempre que há uma pausa letiva ficam sem contrato e têm de ir para o desemprego”, começou por referir a coordenadora do Bloco de Esquerda, salientando estar ali o exemplo de porque é que os salários são tão baixos e “porque é tão importante e prioritário o acordo neste país para que os salários e os direitos do trabalho sejam levados a sério”.

“Não é possível dizer a quem trabalha toda uma vida que trabalhará sempre a ganhar o salário mínimo ou condenar pessoas de quem dependemos para que este país funcione a contratos precários ano após ano”, frisou Catarina Martins.

A coordenadora bloquista explicou que, no caso das trabalhadoras das cantinas escolares (“também há trabalhadores mas na generalidade são trabalhadoras”), o Estado, o ministério da Educação ou as autarquias, concessiona as cantinas a empresas, estas empresas por sua vez, contratam os trabalhadores diretamente ou recorrem ainda a empresas de trabalho temporário.

A coordenadora bloquista salientou os vários níveis de subcontratação e apontou que as trabalhadoras são contratadas apenas durante os meses em que são servidas refeições nas escolas, o que significa que quando há pausa (Natal, Páscos, férias) estas trabalhadoras ficam na situação de desemprego. Muitas vezes, sem acesso sequer ao subsídio de desemprego, porque os períodos de contratação são muito curtos.

“Este processo de outsourcing, externalização trabalho temporário, é dos processos mais nocivos que o nosso país tem tido nos últimos anos e que baixa objetivamente os salários e os direitos de quem trabalha”, sublinhou Catarina Martins, acrescentando que durante anos falava-se de gerações mais jovens, agora fala-se de todas as gerações. “que continuam amarradas ao salário mínimo ou a salários médios, que são tão parecidos com o salário mínimo, e continuam numa situação de enorme precariedade”.

Questionada sobre o que o Bloco propõe para combater o trabalho temporário e o falso outsourcing, Catarina Martins apontou que é preciso que a ACT intervenha (e tenha meios) verificando o vínculo de um trabalhador/a e obrigar a empresa a que seja feito o contrato correto, tal deve existir no caso de um falso recibo verde e “queremos que aconteça com o outsourcing e o trabalho temporário”.

“Quando alguém está num sítio a trabalhar, seja uma empresa privada ou um serviço público, e está integrado na equipa dessa empresa ou desse serviço, e tem uma função permanente não pode estar em outsourcing nem como temporário. Tem de ter um contrato e tem de estar naquela equipa”, afirmou Catarina Martins.

E salientou que isso é muito importante, “porque só assim é que a economia funciona” e porque “só assim garantimos que há progressão salarial em Portugal e que as pessoas não ficam toda a vida amarradas ao salário mínimo”.

Termos relacionados Legislativas 2022, Política
(...)