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“É preciso garantir que a vacina chega a toda a gente”

No debate sobre a renovação do estado de emergência, Pedro Filipe Soares defendeu que é urgente não ficar “refém de uma patente ou do lucro de uma multinacional" e que continuam a ser necessários meios para cumprir a prioridade de "testar, rastrear e vacinar".
Pedro Filipe Soares no debate sobre o estado de emergência. Foto de Manuel de Almeida/Lusa.
Pedro Filipe Soares no debate sobre o estado de emergência. Foto de Manuel de Almeida/Lusa.

Na sua intervenção no debate desta quinta-feira sobre a renovação do estado de emergência, Pedro Filipe Soares começou por lembrar que foi precisamente há um ano que a Organização Mundial de Saúde declarou a Covid-19 uma “pandemia à escala global”. Entretanto, “2,5 milhões de pessoas perderam a vida. No nosso país, foram 16.635 as mortes que temos a lamentar”. Daí que tenha querido deixar “uma primeira palavra para todos os que perderam familiares e amigos e para o país que lutou de forma muito difícil contra esta pandemia”.

Este ano difícil em que “fomos aprendendo como o vírus se move e como nos podemos defender dele” mostrou ainda mais que “o Serviço Nacional de Saúde é um dos pilares fundamentais da nossa vida em sociedade”, prosseguiu o líder parlamentar bloquista.

Sobre a renovação do estado de emergência, que “não será a última”, destacou que a Assembleia da República “não pode ser retirada deste processo” e tem de ter um “papel determinante” na escolha que “é a única que pode limitar direitos fundamentais”.

A este propósito, o dirigente bloquista critica uma decisão “que não é completa, não é plena, porque não está completamente informada nem é transparente”. Em causa está o desconhecimento do plano de desconfinamento do governo. “Em que é que querem aplicar o estado de emergência que hoje estamos aqui a discutir? O que é que vão fazer com a confiança que hoje pedem ao Parlamento?”, questionou.

O líder da bancada parlamentar bloquista dedicou grande parte da sua intervenção aos “três verbos fundamentais para nós fazermos frente ao vírus: testar, rastrear e vacinar”. Mas salientou igualmente que “há um antes destes três: proteger”.

Sobre o primeiro dos verbos, declarou que é preciso “garantir que não fazemos o que temos feito nas últimas semanas que é face à redução do número de casos temos reduzido a nossa força de testagem”. Isto porque “não podemos andar permanentemente a correr atrás do vírus. Temos de correr à sua frente para garantir que ele não se propaga”, o que se faz com testes em massa. Mas apesar destes estarem prometidos desde janeiro, “ninguém compreende como é que esta urgência ainda continua na gaveta e, a correr bem, só no final de março é que será implementada”.

Sobre o rastrear, Pedro Filipe Soares acha que o que aconteceu quando se começou a desconfinar no final da primeira vaga prova que “rapidamente se perde o rastro do vírus se não se fizer a testagem e o rasteio necessário.” No sistema de rastreio “continuam muitas debilidades”, “faltam os reforços dos meios, falta o reforço da saúde pública, falta a capacidade de envolver vários agentes e não foi por falta de permissão dos vários estados de emergência que o governo não o fez”.

Sobre o verbo vacinar, vincou que é preciso “garantir que a vacina chega a todas e a todos”, “que ela não está refém de uma patente qualquer, de um lucro qualquer de uma multinacional”. É preciso que “toda a capacidade de produção nacional e internacional” seja “mobilizada para responder às pessoas”.

O deputado deixou uma última nota sobre a necessidade de “desconfinar com cautela” e de o fazer “dando prioridade àqueles que têm mais sofrido na nossa sociedade: as crianças”. Desta forma, há que abrir as creches e os jardins de infância mas também o primeiro ciclo, defendeu.

 

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