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“É preciso deixar de alimentar indústria do armamento com dinheiro dos contribuintes”

Durante o comício internacional “Agora o Povo”, Marisa Matias alertou ainda que, se hoje é preciso continuar a lutar pela democracia, também precisamos de continuar a lutar por aquela que foi uma das maiores conquistas da nossa democracia, que foi o Serviço Nacional de Saúde”.
Foto de Paula Nunes.

“Estamos aqui a celebrar os 45 anos do 25 de Abril, mas também a celebrar os 40 anos do Serviço Nacional de Saúde. E se ainda hoje é preciso continuar a lutar pela democracia, e faz hoje 45 anos que a democracia venceu o medo, também precisamos de continuar a lutar por aquela que foi uma das maiores conquistas da nossa democracia, que foi o Serviço Nacional de Saúde (SNS)”, afirmou Marisa Matias no comício em que participaram também Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa), Miguel Urbán (Podemos), Jakob Nerup (Aliança Vermelha e Verde da Dinamarca) e o fundador e dirigente do Bloco Luís Fazenda.

A candidata às eleições europeias de 26 de maio lembrou que, neste momento, “o Partido Socialista ainda não sabe nem que posição deve tomar, mas o presidente da República já decidiu que, aparentemente, é mesmo para dar ao grupo Mello”.

Lembrando que uma das palavras de ordem do Bloco durante a manifestação do 25 de Abril foi “Marcelo escuta, a saúde não é dos Mello!”, Marisa Matias defendeu que “a saúde é nossa, a saúde é de quem construiu a democracia”, e que “devemos honrar a memória de António Arnaut e João Semedo e devemos honrar o futuro de todas as pessoas que vivem neste país”.

“O SNS é uma das maiores conquistas da democracia e tem de estar ao lado do povo”, reforçou.

A dirigente bloquista assinalou que “muitas das lutas que temos pela frente, e muitas das lutas que já travámos”, são feitas com os camaradas internacionais que participaram no comício, e “com outros que, ao longo destes anos, têm feito alianças no sentido de dar a voz ao povo e de dizer que agora é a vez do povo”.

“Entre essas lutas está a luta contra o exército europeu. Ainda nesta última semana de trabalhos parlamentares em Estrasburgo, o Parlamento Europeu (PE) aprovou o fundo europeu de defesa”, afirmou Marisa Matias.

“Treze mil milhões de euros retirados à coesão, à agricultura, àquilo que é a possibilidade de investir no Estado Social. Treze mil milhões para a indústria de armamento europeia. Batemo-nos contra esta proposta. Infelizmente, constitui-se uma maioria formada pelos socialistas e o Partido Popular Europeu, no qual se incluem o PSD e CDS, que aprovaram esta medida e que acham mesmo que o futuro da União Europeia (UE) pela aprovação de um fundo de defesa e pela criação de um exército europeu comum”, acrescentou.

“Nós dizemos que o futuro da UE passa pela paz e por acabar com a indústria do armamento no território europeu e não alimentá-la com o dinheiro dos contribuintes”, vincou a eurodeputada do Bloco.

Marisa Matias assinalou que “quem defende um exército europeu diz que é porque temos de estar à frente dos Estados Unidos e porque já não se pode confiar na NATO”.

“Ora bem, nunca se pôde confiar na NATO”, avançou, frisando que “a alternativa à NATO é não haver NATO. A alternativa à NATO não é um exército europeu”.

“Sabemos que é preciso segurança e força na UE. Mas a segurança na UE é a segurança do trabalho com direitos, a segurança das pensões e dos salários dignos, a segurança dos serviços públicos, a segurança da vida com qualidade. E a força que precisamos na UE é a força ambiental, é a força social, é a força que nos junta aqui hoje para celebrar o 25 de Abril”, destacou.

Marisa Matias referiu ainda que a força de que precisamos é a força da greve feminista, a força da greve contra as alterações climáticas, a força dos nossos irmãos e irmãs de outros países que connosco vão construir o futuro”.

“O combate às alterações climáticas também a ver com justiça social”

Jakob Nerup, da Aliança Vermelha e Verde da Dinamarca, alertou que a liberdade não é garantida e que temos de lutar por ela e que, para ter verdadeira liberdade e democracia, é preciso igualdade.

Nerup destacou que é preciso alterar a forma como a Europa se desenvolveu e que a Plataforma “Agora, o Povo”, que já conta com seis partidos da esquerda europeia, pretende mudar o futuro da Europa e do mundo.

Jakob Nerup (Aliança Vermelha e Verde da Dinamarca). Foto de Paula Nunes.

O representante da Aliança Vermelha e Verde da Dinamarca destacou a importância da luta contra a austeridade e contra as alterações climáticas.

No que respeita a esta última, Nerup assinalou que é possível taxar os ricos para ter dinheiro para combater as alterações climáticas, mas, para isso, é necessário que os ricos paguem os seus impostos, lembrando as várias formas de evasão fiscal utilizadas pelos mais poderosos, como o recurso a offshores.

“Esta luta tem também a ver com justiça social”, vincou.

Jakob Nerup defendeu que é preciso uma solidariedade conjunta de todos os trabalhadores da Europa na luta pelos seus direitos. E que, no dia 26 de maio, temos de ter um objetivo comum: “fazer com que todos votem contra a austeridade, contra as desigualdades e para que tenhamos uma presença mais forte no PE”.

“O problema da europa chama-se desigualdade”

Miguel Urbán afirmou que estamos a “atravessar um momento complicado”, com uma “onda reacionária” a emergir na Europa.O dirigente do Podemos espera que “a comemoração dos 45 anos da revolução dos cravos seja ouvida em toda a Europa” e que a votação de 26 de maio traduza esta lição de liberdade e democracia.

As políticas austeritárias, o regresso de políticas xenófobas, racistas, em benefício das elites, e o facto de a extrema-direita ter a capacidade de impor a agenda na Europa foram apontadas por Urbán como problemas a que é urgente dar resposta.

Miguel Urbán (Podemos). Foto de Paula Nunes.

Na origem deste problema, o representante do Podemos aponta o dedo às políticas neoliberais e de austeridade e à disseminação da ideia de que não existem recursos para todos, que alimenta políticas de exclusão e a perseguição aos mais vulneráveis.

“Há que garantir uma justa distribuição da riqueza”, sinalizou, afirmando que “a minoria perigosa são os ricos, as multinacionais, aqueles que fogem aos impostos” e que “o problema da Europa chama-se desigualdade”.

 Urbán defendeu a nacionalização de setores estratégicos e necessidade de “mudar o mundo, não o clima”.

Segundo o dirigente do Podemos, a plataforma “Agora o Povo” visa recuperar soberania popular e responder às reivindicações feministas, sociais, laborais, pelo clima.

“Não há democracia dentro dos tratados europeus”

“O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, diz que não há democracia fora dos tratados europeus, e nós dizemos que não há democracia dentro dos tratados europeus”, sublinhou Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa.

Mélenchon avançou que “não há nada mais importante do que as exigências do povo” e falou sobre o movimento dos coletes amarelos, denunciando a desproporcionalidade da força utilizada pelas autoridades francesas, que inflamou os manifestantes, e a responsabilidade de Macron, que surge como um verdadeiro impostor que apresenta um programa de continuidade e recusa-se a dar resposta às justas reivindicações da população.

Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa). Foto de Paula Nunes.

Sobre a plataforma “Agora o Povo”, Jean-Luc Mélenchon referiu que o Bloco foi o mais ativo na sua constituição, saudando o trabalho do dirigentes bloquistas.

O representante da França Insubmissa destacou que “a democracia na Europa está em perigo não só devido aos nacionalismos e xenófobos mas sim devido aos liberais”,  que põem parte da população contra a outra parte.

Mélenchon frisou assinalou ainda a necessidade de cooperação entre os países europeus, o diálogo com a Rússia, e também a cooperação com os países do Magrebe.

De acordo com Jean-Luc Mélenchon, o futuro da Europa tem de ser um futuro de paz, de proteção do ambiente. 

O fundador e dirigente do Bloco Luís Fazenda encerrou o comício, salientando que a lista do Bloco às eleições europeias é constituída por pessoas que intervêm na discussão política em Portugal e na Europa.

Segundo Luís Fazenda, os partidos que compõem a plataforma “Agora o Povo” opõem-se aos tratados da austeridade à NATO, ao militarismo e defendem o reconhecimento da soberania popular e afirmam-se como alternativa à esquerda aos liberais e à extrema-direita.

 

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