Está aqui

É inaceitável que a Caixa não pague juros às contas mais baixas

A CGD vai passar a pagar juros apenas às poupanças que sejam superiores a 6.666 euros. Mariana Mortágua questiona o governo sobre isto, em nome do Bloco, porque “o banco público não pode liderar o mercado de más práticas”.
Mariana Mortágua.
Mariana Mortágua. Foto de Paulete Matos

Para Mariana Mortágua não se pode utilizar os juros “invulgarmente baixos” nos mercados internacionais para justificar “o confisco dos seus clientes, ainda mais dos mais vulneráveis”.

A deputada pensa que é disso mesmo que se trata quando a Caixa Geral de Depósitos decide não pagar juros abaixo de um euro, lesando as contas que têm menos dinheiro.

Para além disso, as comissões pagas nas contas à ordem “são muito caras” o que conjugando com a medida anterior implica que “as pessoas acabam por estar a pagar para ter o seu dinheiro no banco”.

O Bloco considera que “é inaceitável” que a Caixa retenha “juros de depósitos a prazo que não lhe pertencem”. Até porque o caso inverso não seria aceite pelo Banco: “agora imagine-se que eu não pago uma comissão a um banco só porque essa comissão são 50 cêntimos.”

Para além do problema de base de não pagar o que deve, Mariana Mortágua considera que esta medida ajuda a “empurrar as pessoas que querem baixo risco na sua poupança para produtos que têm juros muito mais arriscados e isso é um problema sistémico”. Assim, ou se encontram soluções agora ou vamos “ter de lidar com os lesados de amanhã”, aqueles que “foram hoje empurrados para produtos arriscados porque os bancos não eram capazes de lhes oferecer produtos com o mínimo de remuneração para que as pessoas não percam dinheiro sem risco”.

“Um banco público não pode estar a liderar o mercado de más práticas”, acusa a deputada. Por isso, insta a o governo a tomar uma atitude sobre isto.

Foi com estas palavras que Mariana Mortágua apresentou o conjunto de perguntas que o Bloco faz ao governo a propósito das notícias que a Caixa Geral de Depósitos começou a comunicar aos seus clientes na semana passada a sua nova política de remuneração de produtos poupança e depósitos a prazo.

A nova política da Caixa conjuga a retenção de juros ilíquidos até um euro, ou seja “a opção pelo seu não pagamento efetivo” com “um substancial corte de juros nas contas da Caixapoupança Reformado, Caixapoupança Emigrante e Caixapoupança Superior e as contas Caixapoupança Mais Reformado, Poupança Caixa Empreender e Caixapoupança Condomínio. Assim, a CGD vai passar a pagar juros apenas a poupanças superiores a 6.666 euro. As outras vão passar a perder dinheiro.

O Bloco denuncia na sua pergunta ao governo uma “comissão encapotada que penaliza as poupanças mais baixas” que é “claramente contraria aos desígnios de um banco público”, tornando o banco público pioneiro nas “práticas abusivas de mercado”.

Por isso, o partido quer saber o que pensa o governo desta decisão e que posição vai tomar face a este “sinal negativo que é dado à banca nacional”. Quer ainda saber as estimativas de clientes abrangidos e de receitas. E as garantias que o governo tenha que as alterações não estão a ser usadas para uma estratégia de “captação agressiva de clientes para “contas pacote”, que no limite poderão ter custos superiores à rentabilidade perdida, ou até, para produtos para aplicação dessas poupanças com maiores riscos e dificuldades na mobilização”.

Termos relacionados Política
(...)