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Drogas: Mais de mil personalidades exigem à ONU novas respostas

Ex-chefes de Estado, líderes religiosos, figuras da ciência, medicina e artes assinam uma carta aberta a Ban Ki-moon nas vésperas da Sessão Especial da ONU sobre Drogas.
A Assembleia Geral da ONU vai reunir em Nova Iorque de 19 a 21 de abril sobre política das drogas.

A carta aberta, que conta com a assinatura dos portugueses João Goulão, líder do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD, e do cientista e atual deputado socialista Alexandre Quintanilha, defende que “a humanidade não tem condições de arcar com os custos de insistir, em pleno século XXI, em políticas de drogas tão ineficientes e contraproducentes quanto as do século passado”.  

A Conferência da ONU que se realiza de 19 a 21 de abril é a primeira desde 1998, quando os países assumiram o compromisso de erradicar o tráfico e consumo de estupefacientes nos dez anos seguintes. Quase 20 anos depois desse objetivo ter sido aprovado, o resultado está à vista: nunca se gastou tanto dinheiro público na repressão, ao mesmo tempo que o poder dos narcotraficantes se consolidou.

Apesar do fracasso evidente da “guerra às drogas” e do surgimento de políticas alternativas a nível nacional ou estadual, no caso da legalização da canábis nos Estados Unidos da América, os debates que antecederam a preparação desta Conferência da ONU não espelham esse balanço e os subscritores deste apelo temem que “essas sementes de reforma” sejam rejeitadas pelos participantes, apesar do pedido feito pelo próprio Ban Ki-moon no ano passado.

“O uso problemático de drogas e a prevalência de HIV/SIDA, hepatites e outras doenças infecciosas espalhou-se tão rápido quanto as leis proibicionistas e as agências e posturas que vêm impedindo a adoção de diretrizes de redução de danos e de outras políticas de saúde efetivas”, denuncia esta carta assinada por mais de mil personalidades, incluindo os políticos norte-americanos Bernie Sanders, Elizabeth Warren, Bill Richardson e Howard Dean e os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Ernesto Zedillo, Cesar Gaviria, Ricardo Lagos, Pedro Pires e Olusegun Obasanjo e celebridades do mundo das artes como Sting, Annie Lennox, Natalie Imbruglia, Herbie Hancock, Peter Gabriel, Jane Fonda ou Michael Douglas.

Esta carta aberta foi promovida pela ONG Drug Policy Alliance, em conjunto com outras organizações que defendem o fim da criminalização e uma política de regulação do consumo que ponha a saúde pública como primeira prioridade.

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