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Drogas em 2017: mortalidade continua em queda

Relatórios do SICAD sobre uso de drogas e álcool em Portugal em 2017 apontam tendência de aumento ligeiro no consumo de álcool e canabis, mas a mortalidade continua em queda.
Foto de Gregor Fischer/Flickr.
Foto de Gregor Fischer/Flickr.

Foram divulgados esta quarta-feira na Assembleia da República os relatórios anuais do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e Dependências (SICAD), com os dados oficiais em matéria de drogas e álcool para 2017.

Entre os aspectos positivos, o presidente do SICAD João Goulão refere a tendência de queda da mortalidade por consumo destas substâncias, que prossegue desde 2002. Em 2017 registaram-se 259 mortes com substâncias ilícitas no organismo, dos quais apenas 38 foram consideradas overdose — a maioria das mortes deveram-se a causas naturais, acidentes ou suicídios. Estas 38 mortes por overdose, quase sempre de heroína, cocaína e/ou metadona, apesar de raras, representam uma subida de 41% face ao ano anterior. Entre toxicodependentes com VIH, registou-se 90 mortes.

Outro aspecto positivo foi a queda nas infeções por VIH e nos casos de sida entre toxicodependentes: cerca de mil casos registados de infeção pelo VIH e 230 de sida, uma pequena parte destes casos respeitante a toxicodependentes (2% e 11%). Assinala-se ainda o cumprimentos das metas estabelecidas para o consumo de canabis entre os jovens. No álcool, destaca-se a queda do consumo per capita, o retardar da idade em que os jovens começam a beber, associado à percepção geral de que o acesso ao álcool tornou-se-lhes mais difícil, e a queda nos internamentos por hepatites e cirroses.

Entre os aspectos negativos, o SICAD refere o aumento de mortes na estrada devido ao álcool; o aumento de consumos de risco e dependência do álcool e canabis na população em geral, particularmente entre mulheres e homens adultos (de 25 a 44 anos); o aumento ligeiro mas continuado do uso de álcool e canabis aos 18 anos. O uso de canabis, apesar da diminuir entre os jovens no seu todo, aumentou no resto da população, o que impediu que se atingisse as metas para esta substância.

Outros aspectos negativos, pela sua evolução adversa nos últimos 2 anos: aumentos de novas infeções por hepatite C entre quem iniciou tratamento por problemas de álcool, e de sinalizações de menores às respectivas comissões de proteção (CPCJ) por problemas de álcool (302 sinalizações).

Quanto a tratamento, em 2017 havia 27 mil utentes em tratamento no ambulatório da rede pública, um ligeiro aumento face a 2016. Destes utentes, cerca de 1800 foram admitidos pela primeira vez, o valor mais baixo desde 2012, e cerca de 1500 foram readmitidos. Houve cerca de 700 internamentos nas Unidades de Desabituação e 2 mil nas comunidades terapêuticas (maioritariamente privadas). A heroína é o problema mais comum, mas entre os novos utentes foi ao invés a canabis, "o que poderá refletir a maior articulação dos serviços e adequação das respostas às necessidades específicas de acompanhamento desta população", afirma-se.

Perante este quadro, o SICAD aconselha continuidade na linha de prevenção precoce e tratamento atempado, em particular no diagnóstico e tratamento precoce do VIH, e na referenciação adequada de casos reativos para o SNS.

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