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Dois defensores das borboletas monarca assassinados no México

A Reserva da Biosfera da Borboleta Monarca, em Michoacán, no México, é património da Unesco mas está ameaçada pela atividade de madeireiros ilegais. Agora, no espaço de dias, dois dos seus trabalhadores e ativistas foram assassinados.
Pormenor da Reserva da Biosfera da Borboleta Monarca, El Rosario, México, janeiro de 2009.
Pormenor da Reserva da Biosfera da Borboleta Monarca, El Rosario, México, janeiro de 2009. Foto de: hspauldi/Flickr.

Homero Gómez Gonzalez, gestor da Reserva da Biosfera da Borboleta Monarca, e Raúl Hernández Romero, guia deste espaço, foram encontrados mortos no espaço de poucos dias. Em ambos os casos foram vítimas de assassinato, Gonzales por “asfixia mecânica” depois de trauma na cabeça e de ter sido afogado, Romero por um golpe de arma branca na cabeça.

Gonzales era um dos ativistas ambientais mais conhecidos da região. Tinha lançado uma campanha contra a desflorestação causada pelos madeireiros ilegais e que ameaça os locais de nidificação desta espécie.

As autoridades ainda não avançaram com nenhum cenário para os crimes. No caso de Gómez Gonzales, descartam apenas a motivação de furto uma vez que quando foi encontrado tinha em seu poder cerca de nove mil pesos, mais de 400 euros. Gonzales já tinha sido várias vezes ameaçado de morte pela sua campanha a favor da conservação das borboletas monarca de acordo com a informação prestada pela sua família.

Borboletas monarca, uma espécie ameaçada

As borboletas monarca são conhecidas não apenas pela sua beleza mas também pelo facto de serem o inseto que faz a migração mais longa. Viajam desde o Canadá e EUA até à zona de Michoacán no México, onde hibernam nas florestas de abetos das regiões montanhosas, juntas em cachos enormes para manter o calor.

No Santuário de El Rosario, onde os dois defensores do ambiente trabalhavam, pode-se observar este espetáculo colorido que atrai muitos turistas. A Unesco colocou-o na sua lista de locais únicos e diversos em 2008. Ao ter conhecimento dos assassinatos, a entidade expressou a sua “profunda tristeza e preocupação” e exigiu uma investigação “às circunstâncias extremamente perturbantes”.

Desde os anos 90, a população de inseto decresceu 95%. Os peritos culpam as alterações climáticas e uma série de furacões nas rotas de migração nas também os madeireiros ilegais.

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