Doentes recorrem mais tarde ao hospital e com doença em estado mais avançado

01 de novembro 2020 - 12:50

Os doentes não covid-19, sobretudo idosos, não estão a recorrer atempadamente aos serviços de urgência devido ao receio da pandemia. Médicos apelam para que as pessoas não tenham receio de recorrer aos serviços de saúde.

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 “Os doentes com receio mantêm-se em casa durante mais tempo e vêm sempre com situações mais graves”.
“Os doentes com receio mantêm-se em casa durante mais tempo e vêm sempre com situações mais graves”. Foto de Paulete Matos.

É uma situação comum a vários hospitais. “As pessoas têm chegado mais tardiamente do que aquilo que seria desejável”, diz à agência Lusa Leonor Carvalho, diretora do serviço de Medicina Interna I do Hospital Santa Maria, em Lisboa, onde estão internados doentes sem Covid-19, principalmente idosos.

O adjunto da direção do Serviço de Urgência, Jacques Santos, confirma que, embora não tão “evidente como na primeira vaga”, a diminuição da procura dos serviços de urgência por parte de pacientes não covid-19 já se faz sentir.

Para o médico, “os doentes com receio mantêm-se em casa durante mais tempo e vêm sempre com situações mais graves”. A este receio juntam-se as “falhas no acompanhamento destes doentes por parte dos cuidados primários e por parte das consultas hospitalares e estamos a pagar agora”, sublinha.

Se, na primeira vaga, “houve muita preocupação para dar resposta aos doentes com Covid-19 e perdeu-se um bocadinho a noção do que estava a acontecer com os outros doentes”, agora “é diferente. Há uma grande preocupação em acompanhar os doentes não Covid (…) e acho que não vai chegar ao ponto que chegou na primeira vaga, temos de confiar nisso”, diz Jacques Santos.

Apesar da redução de capacidade para libertar camas para a Covid-19, a diretora Leonor Carvalho garante que “só fica por internar quem adia a sua vinda ao hospital por medo”, diz a médica que apela aos doentes para não terem medo de ir ao hospital quando necessitarem.

À Lusa, Leonor Carvalho afirma que a pandemia criou uma enorme pressão devido à redução de camas e à falta de alguns profissionais que têm de ficar em casa porque se infetaram ou estão em quarentena.

O cansaço também se faz sentir, com quatro médicos a saírem para outros hospitais apenas no últimos mês. “É uma sobrecarga muito grande, as pessoas estão muito cansadas”.

Por isso, diz que só com “muita dedicação” se consegue continuar. “O Serviço Nacional de Saúde já estava carenciado antes desta crise, não é novidade para ninguém, e neste momento deverá ter um grande reforço de investimento para voltar a ser aquilo que era e ainda é um bom Serviço Nacional de Saúde”.