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Dirigiu organização terrorista, hoje é vice-presidente da AR

PSD aprova nome do Chega para vice-presidente. Pacheco Amorim integrou rede bombista MDLP contra 25 de Abril.
Pacheco Amorim e logo do MDLP

Após tentativas fracassadas na anterior legislatura, o Chega conseguiu os votos suficientes de deputados do PSD para eleger Diogo Pacheco de Amorim para o cargo de vice-presidente da Assembleia da República. Foi eleito com 129 votos a favor, 97 brancos e um nulo. Antes da votação, André Ventura afirmou que iria ocorrer um "ajuste de contas com o início da anterior legislatura, quando a Assembleia da República se juntou para boicotar" o seu candidato a vice-presidente.

No grupo parlamentar da legislatura passada, Diogo Pacheco de Amorim era o único dos deputados do Chega a conhecer o hemiciclo por dentro, depois de ter substituído o então deputado único Ventura durante a campanha autárquica. Considerado o “ideólogo” do Chega e, antes, da Nova Democracia de Manuel Monteiro, do qual copiou parte do programa para o partido da extrema-direita, Pacheco de Amorim tem uma atividade neste campo político que remonta ao tempo da ditadura. Ao lado de José Miguel Júdice, formou o “Grupo da Cidadela” na Universidade de Coimbra, que se afirmava “nacionalista revolucionário” para defender o colonialismo contra os estudantes que exigiam a descolonização.

Após o 25 de Abril, integrou o grupo terrorista Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), cujos atentados bombistas mataram, entre muitos outros, o padre Max e a jovem Maria de Lurdes. Pacheco de Amorim sempre negou envolvimento direto nos atentados, afirmando integrar o braço "político" deste grupo terrorista no exílio madrileno. Em seguida junta-se ao projeto político do general Kaúlza de Arriaga, um dos “ultras” da ditadura, no Movimento Independente para a Reconstrução Nacional (MIRN). É no CDS que vem a integrar-se nos anos 1980, enquanto assessor de Freitas do Amaral no primeiro governo da AD. Em 1995, com Manuel Monteiro na liderança,  torna-se chefe de gabinete do grupo parlamentar, vindo a fundar com ele a Nova Democracia, cujo programa elabora.  

Em 2022, ao ser proposto pela primeira vez como candidato à vice-presidência do Parlamento, Pacheco de Amorim viu ressurgir algumas afirmações que fez no passado e que motivaram acusações de racismo. Por exemplo, quando defendeu que em Portugal são “bem-vindos os de todas as raças desde que respeitem a nossa raça”. Questionado em 2022 na Rádio Observador sobre essas palavras, insistiu que “a nossa cor de origem é a cor branca” e “a nossa raça é a raça caucasiana“, mas que por haver “raças distintas e cores distintas”, isso “não implica qualquer superioridade de uma em relação a outra, o que implica é que tem de haver respeito mútuo”.

O novo vice-presidente do Parlamento não renega esse passado político sombrio e faz questão de o afirmar à nova geração dos militantes da extrema-direita. Numa sessão sobre o "Verão Quente" para jovens quadros do Chega em 2021, afirmou que desde essa altura a sua posição política "evoluiu pouco, foi sempre a mesma. Eu continuo a pensar da mesma maneira, adaptando, pois as coisas vão mudando, há alterações que vamos fazendo, mas mantendo essencialmente o mesmo.” E deixou a previsão de que “o Verão Quente está a recomeçar em Portugal. A história repete-se”, por entre críticas à escola pública controlada pela esquerda e os comunistas para "doutrinar os jovens logo a partir do primeiro ano", sem esquecer os cursos de jornalismo, onde Pacheco de Amorim garante que "os professores são de extrema-esquerda”.

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