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Dirigentes do Chega negam perigos da pandemia e rejeitam o uso de máscaras

A extrema direita internacional tem alinhado em teses negacionistas e conspirativas em relação à pandemia de Covid-19, estando contra o uso de máscaras de proteção individual e exigindo aos Estados o fim das medidas de proteção sanitária. Em Portugal, a extrema direita do Chega não é exceção a esta tendência.
Em todo o mundo já existem 22 milhões de pessoas infetadas e outras 780 mil faleceram com covid-19.
Em todo o mundo já existem 22 milhões de pessoas infetadas e outras 780 mil faleceram com covid-19. Fotografia de Pedro Gomes Almeida.

Numa altura em que a pandemia da Covid-19 causou já mais de 22 milhões de infetados e 780 mil mortos em todo o mundo, a extrema-direita alinha-se pelas teses negacionistas e conspirativas, defendendo o fim do uso de máscaras protetoras e exigindo aos Estados o fim das medidas de proteção sanitária. A notícia é da página de facebook "Chega de Ventura" que compilou uma série de publicações feitas por dirigentes do partido Chega (CH) nesta rede social.

A página "Chega de Ventura" apelida esta tendência de "vírus da estupidez" e afirma que a extrema direita portuguesa não lhe é imune. São muitos os dirigentes nacionais do CH de André Ventura que negam os perigos da pandemia e rejeitam o uso de máscaras protetoras. A partir de uma denúncia do jornalista e comentador Daniel Oliveira, o "Chega de Ventura" já tinha relatado o caso de Karina Marques, vice-presidente da Mesa da Convenção do CH, que abertamente defende o fim das máscaras.  Mas Karina Marques não está isolada na sua posição no que toca à direção do CH.

Joaquim Chilrito, membro da direção nacional, defende igualmente a tese da conspiração. Na sua página no facebook, são diversas as referências à covid-19 como uma "paranóia" e uma "esquizofrenia" coletiva. 

Luís Filipe Graça, o presidente da Mesa da Convenção do CH, junta-se à equipa dos negacionistas de André Ventura, lembrando que as medidas de proteção sanitária podem significar uma "ditadura", uma vez que estamos perante uma "agenda mais obscura".

Mas o dito "vírus"não contagiou apenas a direção nacional do CH. Patricia Sousa Uva, quarto elemento na linha de sucessão de André Ventura na lista das legislativas pelo círculo de Lisboa e animadora dos eventos do CH pelo país, mostra-se com uma das mais aguerridas militantes pela negação da pandemia. Não só apela abertamente aos protestos pelo do uso das máscaras protetoras, como diz que a pandemia da Covid-19 é um "logro". 

Portugal ultrapassou hoje a marca de 54 mil casos de infetados desde o início da pandemia. Desde março já morreram 1786 pessoas. O país tem atualmente 152 surtos de covid-19 e um índice de transmissibilidade efetivo (o chamado Rt) de 1,01, revelou hoje a ministra Marta Temido. 

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