Estas previsões foram avançadas por Luísa Loura, diretora da base de estatísticas Pordata e ex-diretora da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência num artigo intitulado “Quantos alunos estarão sem aulas daqui a um ano?”
Neste trabalho Luísa Loura refere que houve um aumento de entradas de professores nas escolas públicas no pós-25 de Abril ao qual vai corresponder um “boom” de saídas para aposentação nos próximos anos.
Esta trajetória, apesar de “expectável”, não foi “atenuada pela formação necessária de docentes”, refere a investigadora. “Formar apenas entre 17 e 22 professores de Matemática e entre 5 e 8 professores de Física e Química nos últimos quatro anos deveria ter feito soar os devidos sinais de alarme”.
Luísa Loura considera que o problema será mais grave a partir do terceiro ciclo do ensino básico. Do pré-escolar ao sexto ano, os impactos “serão apenas pontuais” devido à quebra da natalidade, por um lado, e porque “o número total de educadores e professores atualmente a ser formados será adequado face à projeção de necessidades futuras”.
A investigadora refere que “se formam atualmente cerca de sete vezes menos professores para os níveis que vão do pré-escolar ao sexto ano de escolaridade que em 2002/03”. As situações mais preocupantes ocorrerão após o segundo ciclo, em disciplinas como Português, Matemática ou Física e Química.
Luísa Loura considera que será necessário implementar “medidas de recurso”, entre as quais refere “um maior peso de professores sem habilitação profissional no sistema”, a redução das horas de apoio ao estudo ou o aumento do número de alunos por turma.