Richard Horton, diretor da Lancet, acusa o presidente dos Estados Unidos de “crime contra a humanidade” após a sua decisão de cortar o financiamento à OMS. Mais ainda, no seu Twitter, apela à resistência de todos e à rebelião contra esta “terrível traição à solidariedade global”.
Esta não foi a única reação negativa à decisão da administração de Trump. António Guterres, diretor-geral das Nações Unidas, criticou esta decisão, comentando que apesar de ser necessário um tempo para olhar para trás, entender como esta doença surgiu, como se espalhou de forma tão rápida e devastadora e como os envolvidos reagiram à crise, isto só deveria ser feito quando a pandemia terminar. Noutras palavras, “esta não é a altura” para tomar tais decisões.
No meio de uma pandemia fora do controlo das autoridades, soube-se que os testes em laboratórios comerciais a este coronavírus nos EUA sofreram uma desaceleração dramática, apesar do número de infeções continuar a crescer, refere o Politico. A Associação Americana de Laboratórios Clínicos informou que, entre 5 e 12 de abril, o número de amostras que os laboratórios comerciais lidam diariamente diminuiu de 108.000 para 75.000, respetivamente. Um dos motivos para tal queda pode ter a ver com uma maior restrição nos critérios para a realização dos testes.
As diretrizes dadas pela CDC (Centers for Disease Control and Prevention) indicam que são prioritários os testes aos grupos de risco, nomeadamente a pacientes hospitalizados, profissionais de saúde e idosos. Para além deste critério, estão a ser recusados testes a outras populações devido à falta de material para a realização dos testes (nomeadamente zaragatoas). Não sendo ainda claro se o pico da população de risco já foi atingido, os laboratórios encontram-se à espera de amostras para realizarem os testes, após semanas em que o volume de amostras superava a sua capacidade.
A continuidade dos testes é essencial para determinar o fim das medidas preventivas (como o distanciamento social, permitir que as pessoas voltem a trabalhar) tal como para detetar o surgimento de novos surtos. Enquanto isto acontece, a Casa Branca continua a discutir se são ou não necessárias alterações aos critérios dos testes.
A pandemia de Covid-19 já ultrapassou a nível mundial os dois milhões de infetados confirmados. A decisão da administração de Trump sobre como lidar com esta crise no início foi errática e de desvalorização, o que levou a uma propagação tão intensa que desde o início de abril há mais de 25 000 novos casos diários identificados nos EUA.
Os EUA são atualmente o país com mais casos, perfazendo cerca de 31% dos testes positivos conhecidos, sendo também o país com mais óbitos registados por covid-19 no mundo. 29 dias após o centésimo óbito nos EUA, registam-se 28,554 óbitos, enquanto por exemplo Espanha e Itália, para o mesmo número de dias após o centésimo óbito, registavam 16,606 e 13,915, respetivamente.