A direita “não é sequer uma escolha” nestas eleições

21 de setembro 2017 - 11:35

No comício em Almada, esta quarta-feira, Catarina Martins, acusou PSD e CDS de prometerem nas autárquicas "o exato oposto" do que fizeram no país, enquanto estavam no governo. A candidata do Bloco à autarquia, Joana Mortágua, apelou ao voto para quebrar a maioria absoluta da CDU.

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Foto de Paulete Matos.
Foto de Paulete Matos.

O comício de campanha autárquica do Bloco realizou-se na histórica sala da Incrível Almadense, em Almada, no distrito de Setúbal. Catarina Martins interveio, tecendo fortes críticas aos candidatos e candidatas da direita. Usou como exemplo o cartaz da candidatura do PSD que promete "menos impostos" no município e que tem como cabeça de lista à Assembleia Municipal a ex-ministra das Finanças do governo PSD-CDS, Maria Luís Albuquerque.

"A direita vem prometer nas autárquicas o exato oposto do que fez quando estava no Governo e, portanto, para qualquer pessoa que tenha dois dedos de testa, está fora da equação. Não é sequer uma escolha nestas eleições autárquicas", sustentou, citada pela Lusa.

Segundo a Coordenadora do Bloco, as escolhas que há para fazer em Almada são "entre o cheque em branco da maioria absoluta" à CDU ou "a escolha exigente de juntar mais esquerda no executivo" para que se possa combater a precariedade.

Quando se ouviu na Incrível Almadense o nome da antiga governante do PSD, logo surgíramos apupos e assobios. Catarina Martins conclui, sublinhando a ironia e a incoerência: "Andamos nós a negociar à esquerda como baixar o gigantesco aumento de impostos feito por PSD e CDS e vem Maria Luís Albuquerque dizer que quer menos impostos em Almada".

"Mais, dizem que querem baixar o IMI – exatamente os mesmos que subiram o IMI – e foi preciso uma nova maioria política para baixar o teto máximo do IMI no parlamento", exemplificou ainda.
Referindo-se, em concreto, ao concelho de Almada, onde a CDU se bate por renovar a maioria absoluta, Catarina considerou que a "escolha eleitoral é ficar tudo na mesma ou fazer o Bloco crescer e trazer mais esquerda a Almada", acrescentando que o Bloco traz "exigência à esquerda".

Joana Mortágua: "As maiorias absolutas são cheques em branco"

No comício, intervieram também Luís Filipe Pereira, Luís Cordeiro, Fernando Rosas, e Joana Mortágua.

Esta ideia contra uma nova maioria absoluta da CDU em Almada, foi colocada inicialmente pela cabeça de lista do Bloco à câmara e deputada na Assembleia da República, Joana Mortágua, que citou o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa. Este, como lembrou, na corrida para as legislativas de 2015 disse - e bem, na sua opinião - que "as maiorias absolutas são cheques em branco".

Ora, "a CDU pede às almadenses e aos almadenses maioria absoluta; como diz o povo, em casa de ferreiro, espeto de pau", enfatizou ironicamente. Na opinião de Joana Mortágua, esta maioria absoluta, em Almada, "não é merecida" pelo trabalho que tem vindo a ser feito no concelho.

A candidata do Bloco contrariou ainda quem defende que as eleições autárquicas não são “a casa do Bloco”, pois, defendeu, "quando se luta pelos direitos das pessoas é sempre a casa dos bloquistas e onde estes se sentem bem”. A deputada aproveitou ainda para dizer que Catarina Martins "é a melhor apresentação que os candidatos levam para a rua todos os dias".

Na sua intervenção, durante o comício, Fernando Rosas enviou uma “saudação fraterna ao povo da Catalunha” e afirmou-se "seguro de que a votação levará Joana Mortágua à câmara municipal".

"Sempre entendi, contra os que pretendem reduzir as eleições autárquicas a uma espécie de tecnicidade da política, entregue a alguma cacicagem local, que estas eleições autárquicas são indissociáveis das grandes escolhas da política nacional e até dos abalos da situação internacional", enfatizou.