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“Direita está a transformar a campanha num circo”, acusa o Bloco

Em Évora, João Semedo e Marisa Matias acusaram a direita de estar a transformar a "campanha eleitoral num circo, num festival de celebrações e festejos". A eurodeputada apontou que “depois de correr com a troika a sério” é preciso relançar a contratação coletiva, repor salários e pensões e proteger os serviços públicos.

Num comício do Bloco de Esquerda em Évora intervieram ainda Abdel Sidarus, mandatário regional, Helena Figueiredo e Cláudio Torres, candidatos às europeias, Mário Tomé, mandatário nacional, João Semedo e Marisa Matias.

Protesto condenação e luta no dia 25 de maio tem um nome: voto no Bloco de Esquerda”

Abordando a decisão da comissão nacional de eleições de ter considerado que a realização do conselho de ministros no próximo sábado, 17 de maio, não viola os princípios da neutralidade e da imparcialidade, João Semedo afirmou:

"Como é que um Governo que andou três anos às ordens da troika, se vai despedir da troika de uma forma imparcial e neutral ? Eu só vejo uma resposta para isso: é que olhando para o exemplo de Nuno Melo e Paulo Rangel, o conselho de ministros extraordinário do dia 17 seja afinal de contas uma prova de vinhos, uma prova de vinhos espumantes para celebrar melhor a saída da troika".

“Que celebra e festeja a direita? Há razão para festejar o estado em que deixaram o país? Há razão para festejar 20% de desempregados, 500 mil jovens que não estudam nem trabalham, mais dificuldades em ter consulta, mais tempo de espera por uma cirurgia, salários e pensões cortados?”

João Semedo interrogou então: “Que celebra e festeja a direita? Há razão para festejar o estado em que deixaram o país? Há razão para festejar 20% de desempregados, 500 mil jovens que não estudam nem trabalham, mais dificuldades em ter consulta, mais tempo de espera por uma cirurgia, salários e pensões cortados?”

“Onde a direita vê motivos de celebração e festejo nós vemos motivos de condenação, de protesto e de luta. Protesto condenação e luta no dia 25 de maio tem um nome: voto no Bloco de Esquerda”, realçouou Semedo.

O coordenador do Bloco considerou também que a conferência do BCE, marcada para Sintra para o dia das eleições, "significa que a própria direita vai precisar de um conforto especial e por isso chama os seus amigos da troika para se confortar na noite da derrota do dia 25".

E, afirmou ironicamente: "Eu já estou mesmo a ver, aliás, a senhora Lagarde a dar um beijinho de boas noites ao Dr. Pedro Passos Coelho a dizer ´deixa lá, nós ajudamos-te. Fica para a próxima'. Mas se eles perderem agora, perderão também na próxima".

João Semedo salientou ainda que "a esquerda quando quiser votar contra a direita, quando quiser votar por uma alternativa de desenvolvimento, de emprego, de solidariedade, de igualdade, no país e na Europa, a esquerda não pode enganar-se, deve votar no Bloco de Esquerda porque esse é o voto certo, útil, seguro para conseguirmos esse objetivo".

Um dos povos da Europa a quem não podem dizer que a desobediência é impossível”

Marisa Matias começou a sua intervenção afirmando que "Os portugueses e as portuguesas são um dos poucos povos da Europa a quem não podem dizer que a desobediência é impossível. Há 40 anos tivemo-la com sucesso".

Marisa Matias defendeu então que depois de “correr com a troika a sério”, é preciso relançar a contratação coletiva, repor salários e pensões e proteger os serviços públicos. A eurodeputada apelou ainda à sindicalização de trabalhadores e trabalhadoras, sublinhando: “Precisamos de sindicatos fortes”

Falando da campanha e do contacto com as pessoas, a eurodeputada disse que “os números de todos os dias contrariam o discurso da direita” e que “esses números têm nomes, têm vida e têm história”.

Criticando também os “episódios insólitos da campanha da direita”, Marisa Matias considerou que "só o terem andado com o champanhe e as garrafas ao longo de todo o dia, é que pode justificar aquilo que se passou":

"É que hoje, ao visitarem uma incubadora de empresas no Norte de Portugal, foi-lhes pedido que indicassem as características de uma pessoa para que nessa empresa dessem um diagnóstico relativamente a tratamentos de cuidado de saúde. Quem é que a Aliança Portugal escolheu? A senhora Merkel".

Marisa Matias considerou então que, apesar de já todos saberem que a direita "não se preocupa com a saúde de quem aqui vive", "era escusado tanto" e "podiam disfarçar um bocadinho mais".

A eurodeputada destacou depois que “ao fim de três anos de intervenção da troika”, “só um quinto dos trabalhadores tem contratação coletiva no setor privado” e “há menos um milhão de trabalhadores que está abrangido por um mecanismo de contratação coletiva”.

Marisa Matias defendeu então que depois de “correr com a troika a sério”, é preciso relançar a contratação coletiva, repor salários e pensões e proteger os serviços públicos. A eurodeputada apelou ainda à sindicalização de trabalhadores e trabalhadoras, sublinhando: “Precisamos de sindicatos fortes”.

“Chegou de novo o momento de desobediência"

Nas intervenções iniciais no comício, Abdel Sidarus, mandatário regional, defendeu “uma Europa aberta, solidária e equitativa.

Helena Figueiredo referiu-se ao facto de termos como mandatário nacional um homem de Abril, considerou que “o 25 de Abril foi o maior ato de desobediência que tivemos nós últimos tempos” e afirmou: “Chegou de novo o momento de desobediência. Desobedecer aos que nos condenaram nós últimos 3 anos à austeridade e que nos querem condenar a mais 30 anos de algo que ninguém aguentará”.

Helena Figueiredo salientou ainda: “É aqui no Alentejo que os jovens sentem de forma mais profunda a austeridade. Quando acabam os cursos , não encontram emprego. Ou aceitam trabalhar numa caixa de supermercado se tiverem sorte ou emigram. Não podemos permiti que os nossos jovens não possam crescer, viver e ter futuro aqui.”

“É preciso desobedecer, não só como desobedeceram os capitães, mas como desobedeceu o povo aos capitães”

Se não houver coragem para renegociar a dívida, que hoje reúne o consenso de tantos economistas Cláudio Torres falou da proximidade do sul da Europa ao Norte de África, do mediterrâneo e o mandatário nacional, Mário Tomé, afirmou:

“É preciso desobedecer, não só como desobedeceram os capitães, mas como desobedeceu o povo aos capitães, como desobedeceu o povo às leis antigas, como desobedeceu o povo às leis que se ia fazendo durante o PREC para o impedir de ir mais longe”.

Segundo a agência Lusa, uma das intervenções que marcou o comício de Évora do Bloco foi a de Mário Tomé, mandatário nacional, que reiterou a ideia de que é preciso desobedecer, garantindo que o partido não quer atrás de si "rebanhos" e que tem por base o conhecimento e o saber e nunca a mentira.

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