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Direita alemã mantém o cordão sanitário contra a extrema-direita

O novo líder da CDU diz que não haverá cooperação entre o seu partido e a AfD, congénere alemã do Chega no mesmo grupo europeu de extrema-direita, o “Identidade e Democracia”.
Autocolante ant-AfD. Foto de Jürgen Telkmann/Flickr.
Autocolante ant-AfD. Foto de Jürgen Telkmann/Flickr.

Armin Laschet, o novo líder do maior partido de direita alemão, a CDU, exclui qualquer colaboração com a extrema-direita da Alternative für Deutschland, que pertence ao grupo internacional “Identidade e Democracia” cujo membro mais recente é o português Chega. Diz que a “firewall” construída por Angela Merkel se irá manter intacta.

Em declarações esta terça-feira ao Deutschlandfunk, citadas pelo Guardian, Laschet sublinhou que “a CDU tem de desempenhar o seu papel e deixar claro que não falamos com eles, que não colaboramos com eles, que não entraremos numa coligação com eles”. Uma recusa que é “a qualquer nível”, fez questão de realçar.

O cordão sanitário contra a extrema-direita na Alemanha é levado tão a sério que custou o lugar à anterior candidata à sucessão de Merkel, Kramp-Karrenbauer, quando vários membros do partido na Turíngia se juntaram à AfD numa tentativa de afastar do cargo o chefe do executivo deste estado, Bodo Ramelow, do Die Linke. Thomas Kemmerich, o líder dos liberais na região, chegou mesmo a ser eleito, mas depois do escândalo que causou o apoio da extrema-direita demitiu-se no dia a seguir, continuando assim a esquerda no governo da Turíngia.

A declaração também é significativa devido ao contexto. No próximo domingo haverá eleições na Alta Saxónia e a AfD está bem colocada nas sondagens. Uma delas coloca mesmo o partido de extrema-direita à frente, com 26%, mais um ponto do que o atual chefe de executivo do estado Reiner Haseloff. Ainda que fique à frente, a AfD não conseguirá governar a Alta Saxónia, nem entrará no executivo, uma vez que o cenário mais provável é a continuidade da aliança da direita com o SPD e Verdes ou então outra coligação que inclua os liberais do FDP. As declarações de Laschet excluem ainda o cenário de um governo minoritário da CDU com qualquer tipo de apoio parlamentar da extrema-direita.

Nestas eleições, a AfD propõe medidas como excluir menores refugiados das salas de aula regulares e reter dinheiro dos impostos de artistas que não sejam “principalmente afirmativos em relação à sua própria cultura alemã”.

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