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Diocese vende ilha no Porto a promotor imobiliário

As seis famílias que moram na ilha da Oliveira têm que deixar as suas casas até agosto. Maria Manuel Rola considera que esta situação demonstra como “o direito a manter uma casa não pode ficar as mãos de entidades que facilmente sucumbem ao poder da especulação.”
Diocese vende ilha no Porto a promotor imobiliário. Fotografia: esquerda.net

Foram os recenseadores do CENSOS 2021 que identificaram a situação que está a assolar as seis famílias que residem na Ilha da Oliveira, no centro da cidade do Porto. São mais de dez pessoas, idosas, com baixos rendimentos, que sempre aqui moraram mas que têm que abandonar as suas casas até agosto uma vez que a Diocese do Porto vendeu a ilha a um promotor imobiliário de Fafe. 

Em fevereiro deste ano, os moradores receberam uma carta da Diocese com a informação de que a ilha ia ser vendida; no mês seguinte, chegou-lhes outra carta dando nota do direito de preferência. Mas os baixos rendimentos impedem-nos de adquirir as casas onde sempre habitaram. 

A deputada do Bloco de Esquerda Maria Manuel Rola considera que “estas pessoas têm direito a uma habitação condigna”, acrescentando que “a Câmara deveria ter intercedido para evitar este despejo, nomeadamente através do direito de preferência que permitiria incorporar estas respostas nas respostas públicas.” 

Uma das moradoras, com 69 anos, referiu, em declarações ao Jornal de Notícias, que paga 150 euros de renda. Outra, com 72 anos, recorda que a ilha ao lado, a Ilha do Sol, foi vendida também a um promotor imobiliário e é agora um alojamento local. "Estamos muito magoados. Não estávamos à espera que a Igreja nos fizesse isto” afirmou outra moradora. 

“Não é o primeiro caso de encerramento de respostas sociais a que a Diocese do Porto procede, o que demonstra a fragilidade de deixar as respostas sociais a mercê da beneficência”, conclui a deputada Maria Manuel Rola. 

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