Se a diabetes fosse um país, seria o terceiro país do mundo em população, a seguir à China e à Índia, recordou Marisa Matias durante uma visita à Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal. Mas as atividades de prevenção da doença foram muito afetadas pela crise.
A diabetes é a principal causa das doenças cardiovasculares, da cegueira, das amputações, e há muita margem de manobra para melhorar a qualidade dos serviços e reduzir a prevalência desta pandemia.
“Esta associação teve um corte nos três anos de troika na ordem dos 40% no financiamento. Todos os profissionais que aqui trabalhavam que se reformaram não foram substituídos e tiveram de despedir pessoas num contexto de todos os dias chegarem aqui vinte novos casos”, sublinhou a cabeça de lista do Bloco.
Primeira resolução de sempre no PE sobre diabetes
“Esta é uma causa que nós temos trabalhado muito. A nível europeu, apresentámos a primeira resolução de sempre sobre esta matéria no Parlamento Europeu, porque é importante que se reduzam as desigualdades no acesso aos cuidados”, disse Marisa Matias, sublinhando que há muita gente que tem diabetes e não tem acesso a cuidados de saúde e transporte, há muitas desigualdades dentro de Portugal e também entre os diferentes países da União Europeia. Com mais educação para a prevenção seria possível reduzir muito a incidência, o que é decisivo. A verdade é a diabetes é responsável por 10% do orçamento do Serviço Nacional de Saúde, porque a doença não é tratada de forma preventiva. “É a principal causa das doenças cardiovasculares, da cegueira, das amputações,e há muita margem de manobra para melhorar a qualidade dos serviços e para reduzir a prevalência desta pandemia”. Ora numa das áreas onde foi cortado o financiamento é nas equipas que percorrem o país para fazerem sensibilização para a doença.
Mudar o paradigma
Para Marisa Matias, “não se vai nunca conseguir reduzir a prevalência da diabetes em Portugal se se continuar com o paradigma curativo e se não se apostar na educação e na prevenção. A prevenção pode prevenir 60% dos casos de risco, e assim reduzir muito a prevalência da doença”.
Recorde-se que a principal causa de morte em Portugal são as doenças cardiovasculares, e a principal causa desta doença é a diabetes. Mais importante ainda é a questão quando se prevê a quase duplicação dos casos de diabetes em Portugal nos próximos dez anos.