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Dia Internacional da Mulher em tempo de austeridade

Apesar de todas as dificuldades dos magros e insolúveis orçamentos familiares, as mulheres lutam contra a indiferença dos governantes que, em nome do memorando assinado com a troika, impõem vidas de sacrifício. Contributo de José Lopes.

Comemorar o Dia Internacional da Mulher nestes tempos, de sucessivas e intensivas políticas de austeridade sobre os trabalhadores e o povo em geral, é indiscutivelmente realçar em pleno século XXI o papel que as mulheres continuam a desempenhar na luta por melhores condições de vida, tal como o fizeram as operárias têxteis numa fábrica de Nova Iorque em 1857 e ao longo de dois séculos no Mundo inteiro.

Os violentos ataques dos governos que em Portugal se têm revezado no poder ao serviço do regabofe financeiro para os mais poderosos interesses económicos, que vêm deixando um rasto impiedoso de injustiça social e de aumento da pobreza, mesmo a envergonhada. Aplicam medidas violentas que agravam o desemprego e a precariedade, reduzem os salários e os direitos dos desempregados, cortam subsídio de Férias e de Natal, emagrecem as pensões, negam direitos sociais, tornam o custo de vida insuportável, descaracterizam os serviços públicos. As verdadeiras consequências das políticas ultraliberais no seio das famílias, incluindo os ataques aos direitos laborais, como o aumento do horário de trabalho, em grande parte ainda estão a ser travadas por mulheres corajosas e verdadeiramente heroínas. Apesar de todas as dificuldades dos magros e insolúveis orçamentos familiares, as mulheres lutam em silêncio contra a indiferença dos governantes que, em nome do memorando assinado com a troika, impõem vidas de sacrifício e do inquietante aumento do limiar de pobreza.

Neste 8 de Março, vivam pois mais uma vez todas as mulheres e homens que lutam lado a lado pela justiça na economia. As mulheres lutam por melhores condições sociais e laborais, mesmo quando essa luta se trava no seio familiar, e passa por partilhar à mesa o mínimo de dignidade a que deveriam ter direito, negando mesmo de forma mal nutrida ou o vazio no estômago, a lógica assistencialista que o atual governo PSD/CDS vai fazendo caminho.

José Lopes (Ovar)

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