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Dia dos solteiros: a efeméride consumista chinesa bate recordes mundiais

O dia onze do mês onze é aquele em que há maior consumo online no mundo. A responsabilidade é do “dia dos solteiros”, uma efeméride consumista inventada há dez anos na China. Em 2019 voltaram a bater-se todos os recordes de gastos.
Site da Alibaba.
Site da Alibaba. Foto de Stock Catalog/Flickr.

Em 2009, a Alibaba decidiu lançar um dia de descontos que integrava 27 marcas. Chamou-lhe dia dos solteiros devido à sonoridade semelhante de 11 do 11 com uma das expressões que designa as pessoas não comprometidas. Passados dez anos, só na mesma plataforma aderem ao evento mais de 200 mil marcas. E assim este dia dos namorados ao contrário passou a fazer parte do calendário de consumo na China e no mundo, sendo atualmente o maior momento de vendas no mundo inteiro.

A comparação é expressiva. Os maiores dias de descontos norte-americanos, que já abrangem parte do mundo ocidental, somados não conseguem atingir o nível de vendas deste dia que praticamente só é celebrado na China. Em 2018, o valor gasto no Black Friday foi de 6,5 mil milhões de dólares e no Cyber Monday de 7,9 mil milhões. O Singles' Day atingiu nesse mesmo ano os 30 mil milhões.

Este ano o recorde de despesas voltou a ser batido. A corrida ao melhor desconto fez com que só no primeiro minuto e oito segundos se tenham gasto mil milhões de dólares e nos primeiros trinta minutos 10 mil milhões de dólares. Com a contabilidade final ainda por fazer, a Alibaba anunciou que, por si só, tinha já ultrapassado os 30 mil milhões de dólares.

Mas a Alibaba não está sozinha no evento. Outras empresas de venda online como a Tmall, o Taobao , Pinduoduo e o JD.com apesar de desconhecidas no ocidente, faturam também largos milhões nesta data. A concorrência feroz fez com que mais de vinte destas plataformas tenham sido multadas este mês pelos reguladores do setor devido a práticas de concorrência desleal.

O dia de consumismo desenfreado tem outros custos. Alguns trabalhadores queixam-se de exaustão por serem obrigados a trabalhar horas a fio de forma a conseguir cumprir o ritmo alucinante das encomendas.

Outro custo é o do desperdício. Os grupos ecologistas aproveitaram a data para alertar para a elevada quantidade de detritos proveniente das embalagens destes setores. Até 2025, segundo a Greenpeace e outras instituições de defesa do ambiente, o lixo devido a estas embalagens vai quadruplicar: em 2018 foram 9,4 milhões de toneladas, em 2025 as estimativas apontam para 41,3 milhões.

À Reuters, Tang Damin, da Greenpeace, acusa “os gigantes do e-comércio” de “quase nem sequer oferecerem respostas superficiais” ao problema, reciclando-se apenas 5% das embalagens de plástico destes produtos. E, apesar de não haver estudos, as organizações ambientalistas avançam com o número de 250 mil toneladas de lixo proveniente de embalagens neste dia.

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