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Dia dos Povos Indígenas assinalado em Lisboa com manifestação e concertos

Está marcada para sexta-feira uma concentração no Largo Camões em Lisboa para comemorar o Dia Internacional dos Povos Indígenas. Iniciativa do Fórum Indígena Lisboa pretende alertar para a violência que continua a ameaçar estes povos em todo o mundo.
Foto: Fórum Indígena Lisboa/Facebook.
Foto: Fórum Indígena Lisboa/Facebook.

Esta sexta-feira, 9 de agosto, a Praça Luís de Camões em Lisboa acolhe às 15h uma concentração para comemorar o Dia Internacional dos Povos Indígenas e mostrar solidariedade com a 1ª Marcha de Mulheres Indígenas no Brasil, que decorrerá este mês em Brasília. A partir das 18h, haverá um jantar de beneficência e concertos. A iniciativa é do Fórum Indígena Lisboa.

A iniciativa pretende alertar para o "estado de emergência a que as comunidades indígenas estão a ser confinadas", a "contaminação e perda sistemática de territórios originários, os assassinatos regulares de lideranças e de ativistas". No Brasil, afirma o texto de apresentação da iniciativa, "em menos de 300 dias o governo de Bolsonaro já espalha sinais de morte", com o assassinato de Emyra Wajãpi "depois da invasão ilegal das suas terras por garimpeiros", relatos que se multiplicam de "invasões, ameaças e desmatamento ilegal", e indicadores de desmatamento que em junho iam em 920 quilómetros, quadrados, "mais 88% que no ano anterior".

O texto lembra também os sucessivos derrames de petróleo em territórios indígenas na Amazónia peruana, que contaminam bacias hidrográficas de afluentes do rio Amazonas e afetam "mais de 8 mil famílias sem acesso à água potável e a meios tradicionais de subsistência". Desde julho, "diversas organizações indígenas convocaram um bloqueio aos rios Marañon, Ucayali e Napo denunciando a actividade petrolífera em território indígena e a ausência de consulta prévia".

Recorda-se ainda os mais de 200 líderes indigenas assassinados em 2018 na Colômbia (126), México (48), Guatemala (26) e Honduras (8), com menção especial para as Filipinas e o governo de Duterte, que "superaram todos esses países em número de líderes ambientais assassinados (39), a maioria deles representantes indígenas que também foram acusados de terroristas".

O Fórum Indígena Lisboa, organizador da iniciativa, é uma plataforma de solidariedade internacional e de pressão política contra os atentados aos povos indígenas em todo o mundo, para o que milita "pela reflorestação, contra o extrativismo de combustíveis fósseis e as alterações climáticas". Apoiam a iniciativa outras 16 organizações, entre elas a Extinction Rebellion Portugal, Greve Climática Estudantil, Assembleia Feminista de Lisboa, Climáximo, GAIA Lisboa, SOS Racismo.

Após a concentração no Largo Camões, haverá a partir das 18h jantar e concertos no espaço Secret Garden, na Rua Senhora do Monte. Ritmos de Resistência, Moleka, Ritmos Cholulteka, San La Muerte Cumbia Club, são alguns dos nomes confirmados para subir a palco. A partir das 21h30, a festa encerra com uma Jam Session no Miradouro de Nossa Senhora do Monte.

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