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Deutsche Bank despediu quatro mil e teve prejuízo de cinco mil milhões de euros

O principal banco comercial alemão acumulou milhões em prejuízos no ano passado. O diretor executivo da instituição culpa o plano de “redução do pessoal”. Quem pagou verdeiramente anos de más práticas foram os 4100 despedidos em 2019.
Papéis contra a corrupção colados no Deutsche Bank. 2011.
Papéis contra a corrupção colados no Deutsche Bank. 2011. Foto de tziteras/Flickr.

Em 2018, o Deutsche Bank teve um prejuízo de 52 milhões de euros. O valor das suas ações esteve no valor mais baixo em 149 anos. Soavam então os alarmes sobre o estado da principal instituição bancária comercial alemã e anunciou-se um plano de despedimentos de 18 mil funcionários. Os primeiros resultados chegaram em 2019: o prejuízo líquido do banco foi, nesse ano, de 5718 milhões de euros.

Foi o diretor executivo do Deutsche Bank, Christian Sewing, que tratou de justificar esta quinta-feira as perdas do ano passado com o plano de despedimentos. Diz que se anteciparam assim 70% dos custos que se deveriam prolongar até 2022. Num só ano, saíram da empresa mais de 4100, ou seja à volta de 5% dos seus trabalhadores.

É esta a razão apresentada para o aumento das despesas não financeiras em 7% para 25.076 milhões de euros. Mas também a receita líquida do banco caiu em 8% para 23.165 milhões de euros.

Um banco polémico no coração do sistema bancário europeu

Os trabalhadores entretanto despedidos e aqueles que se lhe seguem são vítimas da estratégia desastrada e das más práticas da empresa. De certa forma e a outro nível, o resto dos trabalhadores também uma vez que viram quaisquer aumentos salariais “adiados por alguns meses”, anunciou a administração.

Um medo alemão

Francisco Louçã

O Deutsche Bank acumulou uma dívida tóxica de milhões. Em meados do ano passado tinha uma exposição a ativos de risco de 288 mil milhões de euros. Um risco “sistémico”, dizem alguns analistas. Foi um dos atores principais da crise financeiras de 2008.

Para além disso, deu passos maiores que as pernas, tentou jogar ao nível das empresas mais poderosas de Wall Street o que não lhe correu. Domesticamente também a fusão com o Commerzbank, patrocinada pelo governo alemão como solução para as dificuldades destes bancos, correu mal.

Isto já para não falar nos vários escândalos em que o banco alemão se foi vendo envolvido. Desde 2016, há 7800 disputas legais relacionadas com ele.

Por exemplo, o banco admitiu que espiou pelo menos vinte pessoas, consideradas críticos da sua atividade, entre 2001 e 2007. Em 2012, foi um dos envolvidos no escândalo Libor em que se mostrou como vários dos principais bancos concertavam ilicitamente taxas de juros. O Deutsche Bank confessou-se culpado. Em junho de 2016, seis dos seus trabalhadores foram condenados a penas de prisão por fraude fiscal com certificados de emissão de CO2, o banco não o foi uma vez que uma empresa não tem responsabilidade legal na Alemanha.

E em novembro de 2018, o banco foi alvo de uma rusga policial devido a lavagem de dinheiro dos Panama papers. Já no início de 2017 a instituição tinha sido multada em milhões pelo Estado de Nova Iorque e pela autoridade financeira britânica pela mesma razão: lavagem de dinheiro

Também em 2018 foi acusado pelas entidades oficiais na Austrália de fazer parte de cartel criminoso que envolvia vários outros bancos importantes.

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