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Detenções no sistema financeiro são “retrato de uma elite que viveu às custas do Estado”

No âmbito do debate sobre o Estado da Nação, Pedro Filipe Soares considerou que os processos judiciais no sistema financeiro e a realidade concreta da vida das pessoas “nos devem preocupar e exigir mais para responder a estas urgências que o país apresenta”.
“O Bloco de Esquerda tinha razão quando exigia” uma legislação “mais exigente”, maior regulação e uma “maior separação” entre os interesses públicos e privados. Foto de Ana Mendes.
“O Bloco de Esquerda tinha razão quando exigia” uma legislação “mais exigente”, maior regulação e uma “maior separação” entre os interesses públicos e privados. Foto de Ana Mendes.

Na preparação para o debate do Estado da Nação, que se realizará esta quarta-feira na Assembleia da República, o líder do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, abordou os principais problemas do país, nomeadamente na Saúde, sistema financeiro e economia.

“O balanço do Estado da Nação, quer do sistema financeiro, quer da realidade concreta da vida das pessoas, é um Estado da Nação que nos deve preocupar e exigir mais para responder a estas urgências que o país apresenta”, disse Pedro Filipe Soares à agência Lusa.

Para o deputado, os processos judiciais associados ao sistema financeiro são um motivo de particular preocupação. “Os corolários destas detenções no sistema financeiro” expõem um “retrato de uma elite que viveu às custas do Estado, dos favores públicos e debaixo da alçada do sistema financeiro”, disse, referindo-se às detenções do empresário José Berardo – investigado por um processo que terá lesado a Caixa Geral de Depósitos, Novo Banco e BCP em 439 milhões de euros – ou de Luís Filipe Vieira – num processo que envolve negócios e financiamentos superiores a 100 milhões de euros, com prejuízos para o Estado, SAD do Benfica e Novo Banco.

“O Bloco de Esquerda tinha razão quando exigia” uma legislação “mais exigente”, maior regulação e uma “maior separação” entre os interesses públicos e privados. “Tantos sacrifícios foram pedidos para que uma elite desgovernasse o país e vivesse às custas desses sacrifícios gerais”, reafirmou.

Sobre a gestão da crise económica e social, o líder parlamentar considera que este debate será marcado por “um orçamento curto para as necessidades de salvaguardar os serviços públicos de qualidade”, nomeadamente na Saúde. Por outro lado, os apoios aprovados para fazer face ao desemprego crescente decorrente da paralisação económico-financeira  chegaram “sempre atrasados, quer às pessoas, quer à economia”.

“Há uma execução orçamental, mas também escolhas orçamentais que não estão à altura do momento que o país vive”, completou.

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