No frente a frente de Catarina Martins com João Cotrim de Figueiredo, moderado por José Alberto Carvalho, foi o tema da Justiça a abrir o debate, a propósito da fuga de informação das escutas ao ex-primeiro-ministro António Costa no processo Influencer. Ambos os candidatos pediram mais escrutínio a atividade do Ministério Público. Catarina Martins falou de “sucessivos casos gravíssimos” como o do juiz que foi investigado e não consegue ter acesso a todo o processo entretanto arquivado.
A situação permite uma “descredibilização da democracia como um todo” e por isso o Procurador-Geral da República deve explicações, defendeu a candidata, considerando “inadequado” que Amadeu Guerra tenha falado numa “prenda de Natal” quando se referiu à eventual conclusão da averiguação preventiva a Luís Montenegro no caso da Spinumviva. Cotrim de Figueiredo concordou que a solução não é ter o poder político a intervir mais na Justiça e que o Ministério Público deve ter “uma comunicação mais célere e mais clara”.
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“Onde não há casas, não há médicos nem professores nem forças de segurança”
O investimento anunciado em Defesa foi o tema seguinte, com Catarina Martins a defender que ele “é desproporcionado e desequilibrado” e que o país deve repensar a sua capacidade de defesa em áreas onde está muito atrás do ponto de vista tecnológico, em vez de “fazer compras de armamento que premeiam as indústrias francesas e alemãs que têm ganho muito com as decisões que são tomadas e nem por isso tornam os países mais seguros”.
Cotrim de Figueiredo concordou com o investimento anunciado por Nuno Melo e enalteceu o papel da Nato como “a nossa garantia de defesa” em relação à Rússia. “Putin intui fraqueza na Europa porque sabe que tem Donald Trump do seu lado”, respondeu Catarina, lembrando que Trump ameaçou dois países da Nato - o Canadá e a Dinamarca - e que “se não percebermos o que mudou, não percebemos nada”, pelo que é um erro a dependência dos EUA em matéria de Defesa.
Cotrim de Figueiredo defendeu a autonomia da Europa no interior da Nato e concordou que não deve haver um general dos EUA a mandar no pilar europeu. Catarina Martins disse que “a Nato não foi uma segurança para a Ucrânia”, como se prova na proposta agora em cima da mesa que lhe retira território, quando em 2022 foi convencida pela Nato a sair das negociações com a promessa de apoio para reconquistar o que tinha perdido. Cotrim de Figueiredo respondeu que o atual acordo só será pior se a Europa não se impuser.
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“Não aceito um país em que se trabalha cada vez mais horas por cada vez menos dinheiro”
Os candidatos discutiram também o papel do Estado na economia, tema em que as diferenças são evidentes. Cotrim de Figueiredo defendeu limitar o papel do Estado a questões de soberania, com Catarina Martins a responder que o que isso implica é que o Estado pague. Cotrim de Figueiredo diz que os privados é que têm ganho com a crise do SNS e defendeu o alargamento da ADSE, com Catarina a apontar que a despesa para o Orçamento seria incomportável. “Não é por acaso que o Presidente da República vai ao SNS”, concluiu a candidata.