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"Declarações de Ministra causaram indignação e dão força à luta dos estivadores"

O Bloco foi esta sexta-feira prestar solidariedade ativa com os estivadores do Porto de Setúbal que estão em luta contra o atual regime de absoluta precariedade. O deputado bloquista Heitor de Sousa frisou que esta situação tem de ser urgentemente corrigida.
Foto de Sindicato dos Estivadores e da Actividade Logística (SEAL).

Em declarações ao esquerda.net, o estivador Jorge Brito explicou que há três meses teve início uma greve às horas extraordinárias pelo fim das perseguições a nível nacional e a negociação de um contrato coletivo de trabalho para Setúbal.

De acordo com este trabalhador, durante esses três meses não houve grande reação por parte dos empregadores. Contudo, nas últimas semanas, tudo mudou. Jorge Brito relatou que, inicialmente, tentaram despedir 26 trabalhadores, voltando posteriormente atrás com essa decisão. Entretanto, quiseram contratar apenas trinta dos trabalhadores eventuais.

Jorge Brito avançou que foi neste contexto que os trabalhadores precários decidiram parar, mantendo-se indisponíveis para trabalhar.

Os estivadores, que como se tem vindo a verificar com esta paralisação, têm uma importância vital para a economia, lutam contra o regime de absoluta precariedade a que são condenados e reivindicam direito a uma vida digna.

O presidente do Sindicato dos Estivadores e da Actividade Logística (SEAL), António Mariano, denunciou que a posição do Ministério do Mar dá cobertura a questões que são ilegais face à lei do trabalho e denunciou a tentativa de “tráfico de escravos entre portos” e de “colocar trabalhadores contra trabalhadores”. Esta é, de acordo com o dirigente sindical, uma situação “inaceitável e inqualificável”.

António Mariano realçou que é preciso ir para a mesa de negociações com os donos dos portos por forma a ultrapassar o que os divide ainda hoje.

“É uma luta absolutamente justa”

Os deputados Heitor de Sousa, Sandra Cunha e Ernesto Ferraz foram esta sexta-feira prestar a sua solidariedade ativa com os estivadores do Porto de Setúbal.

Heitor de Sousa defendeu que esta é uma luta absolutamente justa e que a situação precisa de ser urgentemente corrigida.

Em causa estão, conforme frisou o dirigente bloquista, “trabalhadores em situação de precariedade completa, sujeitos ao regime de trabalho à jorna, sem saber o que os espera no dia de amanhã”.

De acordo com Heitor de Sousa, “não é por falta de necessidades permanentes de trabalho que este regime acontece, é por razões de escolha política”, quer por parte da administração do Porto de Setúbal quer também “por escolha e suporte do Governo, em particular da Senhora Ministra do Mar, que diz umas coisas na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, no sentido de querer contribuir para a resolução do regime de precariedade de trabalho nos portos, e faz outra, como no caso do Porto de Setúbal, quando presta declarações absolutamente lamentáveis dizendo que o trabalho de estiva pode ser feito por qualquer trabalhador”.

Esta atitude só veio, para o deputado do Bloco, “causar indignação e dar força à justa luta dos estivadores do Porto de Setúbal”.

Heitor de Sousa espera que, tal como no Porto de Lisboa, em que se conseguiu acabar com o regime de precariedade, também em Setúbal os trabalhadores vençam, a precariedade acabe e as condições de vida e de trabalho melhorem significativamente.

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