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Curdos em retirada no nordeste da Síria

O exército curdo retirou de Ras al-Ayn que estava cercada e era alvo de ataques turcos. Os curdos vão também abandonar mais território. Entretanto, militares dos EUA que saíram da zona entraram no Iraque, o Irão protesta contra violação da integridade territorial síria e Rússia e Turquia encontram-se esta terça-feira.
Vítima de um bombardeamento turco em Ras al-Ayn a 18 de outubro de 2019, num período de suposto cessar-fogo.
Vítima de um bombardeamento turco em Ras al-Ayn a 18 de outubro de 2019, num período de suposto cessar-fogo. Foto de AHMED MARDNLI/EPA/Lusa.

As forças militares curdas retiraram-se da cidade de Ras al-Ayn. Um comboio de mais de 50 veículos abandonou a cidade no passado domingo. E Redur Khalil, um dos chefes militares das Forças Democráticas Sírias, informou à Associated Press que ao fim da tarde já não havia em Ras al-Ayn qualquer presença militar curda.

Para além disso, o exército curdo também confirmou que vai abandonar parte significativa da zona fronteiriça com a Turquia.

Fica ainda por saber se esta retirada vai ao encontro da totalidade das exigências turcas. Erdogan quer criar uma zona controlada por si em território sírio que era até agora governado autonomamente pelos curdos. Ras al-Ayn é uma cidade importante nesse território e era um dos alvos principais da ofensiva turca iniciada dia nove. Foi nela, aliás, que o cessar-fogo foi em primeiro lugar violado.

Os curdos estavam cercados na cidade, contando com uma pequena bolsa de resistência, e só no sábado passado tinham sofrido 16 baixas mortais e três feridos.

Segundo o ministro turco da Defesa, também em Tal Abyad e cessar-fogo não está a ser cumprido. Os turcos acusam o lado contrário de ter morto um soldado num ataque, elevando sete o número de vítimas militares do lado turco.

Esta retirada vai criar uma nova vaga de deslocados a juntar aos mais de 160 mil que já existem. Para além dos militares, as principais agências noticiosas internacionais dão conta que também civis estão a sair da cidade de Ras al-Ayn temendo represálias das forças turcas e dos seus apoiantes sírios.

Por outro lado, o avanço das tropas leais ao regime sírio parece ter sido travado. Estas fixaram-se em Kobani, Manbij e alguns outros pontos a sul mas, ao contrário do que era esperado, não ocuparam o conjunto do território em disputa, criando uma zona-tampão entre o exército curdo e o turco.

Decisivo para o futuro do conflito será o encontro da próxima terça-feira em Sochi entre Erdogan e Putin. Os russos são aliados do regime sírio e, com a retirada dos norte-americanos e o acordo entre curdos e al-Assad, também avançaram no terreno, ocupando algumas das bases deixadas pelos EUA. Os laços entre estes dois líderes são próximos, apesar da reação de Moscovo ter sido que a invasão turca era “inaceitável” e que devia ser preservada a integridade territorial síria.

Outra das potenciais regionais, o Irão, também aliado de al-Assad declarou igualmente que esta integridade territorial deve ser respeitada, opondo-se a qualquer presença militar turca na Síria. Em conferência de imprensa transmitida pela televisão iraniana, Abbas Mousavi, ministro dos Negócios Estrangeiros, declarou que estes “temas devem ser resolvidos por meios diplomáticos… a integridade da Síria deve ser respeitada”.

Quanto aos Estados Unidos, as tropas que foram retiradas da Síria não estão a regressar ao seu país mas a entrar no Iraque, segundo confirmou a Reuters. Mais de cem veículos entraram na zona semi-autónoma do Curdistão Iraquiano transportando tropas e artilharia. Mark Esper, secretário da Defesa dos EUA justifica estas movimentações dizendo que se trata de “defender o Iraque” e de continuar a luta contra o Estado Islâmico.

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