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"Cumprimos todos os nossos compromissos"

Esta quinta-feira, num comício no Porto com intervenções de Pedro Lamares, Francisco Louçã, José Soeiro e Catarina Martins, a coordenadora do Bloco lembrou que"não há quem não saiba no país que cumprimos todos os nossos compromissos” e que, após as eleições, há que “partir do que mais importante ficou por fazer: acabar com a precariedade, salvar o SNS, iniciar uma resposta verdadeira à crise climática”.
Fotografia de Paula Nunes
Fotografia de Paula Nunes

No penúltimo dia de campanha, o Bloco de Esquerda fez um jantar-comício no Porto, que contou com a presença do ator Pedro Lamares, de Francisco Louçã e de José Soeiro, para além da coordenadora do partido, Catarina Martins.

No decorrer do comício, foram lembrados os passos da última legislatura, da diminuição do preço nos passes de transportes públicos à criação de vínculos laborais através do PREVPAP.

No final, Catarina Martins referiu ainda as prioridades para a próxima legislatura.

Pedro Lamares: “ Os grandes gestos têm de ser legislados, alterados pela classe política”

Pedro Lamares, mandatário da lista do Porto, afirmou que se compromete com este projeto “porque quero um Serviço Nacional de Saúde; porque, quando tive de largar o meu emprego em Lisboa e dar apoio à minha mãe, ainda não havia uma figura jurídica chamada 'cuidadores informais'”. “Sendo um homem, tenho o dever de ser feminista; sendo branco e vivendo numa sociedade racista, é insuficiente não ser racista, preciso de ser ativamente anti-racista; sendo um agente poluente, devo lutar pelas energias renováveis”, completou.

“Os pequenos gestos são fundamentais, mas insuficientes. Os grandes gestos têm de ser legislados, alterados pela classe política”, acrescentou Pedro Lamares.

Francisco Louçã: “O Bloco assegurou a governabilidade para proteger a vida de quem trabalha; sem essa firmeza, a direita estaria no poder”

Francisco Louçã começou por afirmar que “a direita sempre achou que o governo era seu e só seu por uma espécie de destino cósmico e que estes quatros anos foram uma espécie de usurpação”. “Agora limita-se a concorrer contra os seus próprios piores resultados dos últimos 40 anos”, afirmou o fundador do Bloco de Esquerda.

No seu entender, “o Bloco escolheu prioridades: aumento do salário, descongelamento de pensões, fim das privatizações, nacionalização da TAP” e “cada uma dessas escolhas foi um sucesso”. “Se isto é uma geringonça, foi dessa invenção que Portugal precisou para recuperar salários e pensões, e este foi o triunfo dos últimos 4 anos”, afirmou Louçã.

“O Bloco cresceu como o partido do povo trabalhador e mostrou nesta campanha que será ainda maior: uma força que faz, uma alma que sente e um povo que luta”, continuou Francisco Louçã, lembrando que o partido “combateu a instabilidade quando o governo se quis deitar abaixo para provocar eleições no fim de julho”. “Onde esteve o bom senso e a estabilidade? No Bloco de Esquerda”, continuou, afirmando que houve no partido “sensatez e compromisso quando outros procuraram jogos de interesse económico”.

No entender de Louçã, “o Bloco assegurou a governabilidade para proteger a vida de quem trabalha; sem essa firmeza, a direita estaria no poder”.

Para segunda-feira, acredita que há duas escolhas claras, entre “acordar com uma a maioria absoluta que faça rastejar o SMN, os salários da função pública e as pensões no público e no privado” ou a presença da “Catarina a discutir com o governo a segurança de quem trabalha”; “o PS a determinar a contratação de médicos e o futuro do SNS, as propinas, as horas extraordinárias, os turnos e os programas de habitação” ou “a Catarina a defender as pessoas". “Se não quer na segunda-feira a surpresa mais desagradável da maioria absoluta, que é perigosa, ou de um governo dedicado a jogos”, há que “votar no Bloco de Esquerda, que se consolida como terceira força nacional, para defender esta gente, quem vive vidas difíceis, quem trabalha, quem está esquecido”.

José Soeiro: “Quando o rés-do-chão dos direitos laborais parecia impossível, o Bloco mostrou que é capaz de fazer acontecer”

José Soeiro lembrou “as lutas contra a precariedade e as estratégias de reconhecimento de vínculos laborais”, acrescentando que, quando “o rés-do-chão dos direitos laborais parecia impossível”, o Bloco mostrou “que é capaz de fazer acontecer”. Referindo a “grande vitória” do estatuto do cuidador informal, garante que “o Bloco não esquece” quem não conseguiu ainda vínculos laborais e o trabalho por fazer.

Catarina Martins: “Não aceitamos que quem produz a riqueza trabalhe de forma precária ou veja tão pouco salário”

Catarina Martins referiu o caminho feito “lado a lado com as pessoas com quem temos estado nestes quatro anos”. “Quem aqui veio fê-lo porque nos encontrámos todos os dias deste percurso a lutar contra a inevitabilidade quando nos diziam que o único caminho era o empobrecimento do país”. “Encontrámo-nos a lutar em cada um dos dias destes quatro anos para proteger salários, pensões, este país e a vida de quem aqui trabalha, desta gente esforçada que merece tanto, muito mais”, afirmou a coordenadora do Bloco.

O percurso, contudo, teve solavancos. “Vieram todas as ameaças”, lembrou Catarina Martins, sublinhando que todos os passos dados foram considerados "impossíveis", desde “o caminho para o fim das taxas moderadoras" à "descida dos passes dos transportes”. “Mas fizemos. A economia ficou mais forte, o país também. Provámos que é possível”, afirmou.

“É quando se puxa pelo salário e pela pensão, é quando a pessoa fica com mais salário e pensão, é quando protegemos quem vive do seu trabalho, que a economia melhora. A recuperação que teve quem vive do seu trabalho foi usada na economia para comprar aquilo de que precisava”, acrescentou, lembrando que o mesmo não se passou com “quem já tem quase tudo, pondo o dinheiro num offshore, fragilizando a economia do país”.

Às portas das eleições, o Bloco propõe-se “a um país mais forte, que seja capaz de responder à emergência climática e que seja capaz de responder pelo seu território todo ao mesmo tempo”. “Só se responde pelo clima repondendo pelas pessoas”, defendeu, manifestando a sua vontade de “mudar a energia, a forma como é produzida neste país, torná-la mais limpa e mais barata” e de “mudar a mobilidade e de que a ferrovia chegue a todo o lado”. O programa do Bloco inclui ainda “responder pela habitação com eficiência energética e preços que as pessoas possam pagar”.

“Não nos perguntem que sacrifícios vamos fazer pelo planeta. Quando respondemos pelas pessoas – nos transportes, nos serviços públicos, no território –, respondermos pelo planeta”, afirmou Catarina Martins.

O Bloco de Esquerda defende ainda “uma nova legislação laboral que garanta salários dignos”, que “não só é possível como é a obrigação de um país qualificado”. “Neste país, não aceitamos que quem produz a riqueza trabalhe de forma precária ou veja tão pouco salário”, acrescentou.

Catarina Martins lembrou ainda que, ao longo da última legislatura, o Bloco foi “incansável a derrubar barreiras por um país mais justo e uma economia mais justa”. Assim, “cada voto no Bloco é força para proteger salários, pensões, o SNS, responder à emergencia climática”. “Nunca nos cansamos e nunca nos calamos”, afirmou, acrescentando que o Bloco “não admite a promiscuidade e não tem nenhum problema em enfrentar os interesses instalados”. “O Bloco é essa força de coragem para tudo o que falta fazer”, acrescentou a coordenadora do partido. Assim, no seu entender, “o voto de quem protege o salário, a pensão, de quem trabalha, o voto de quem quer melhorar a vida neste país, o voto que conta, é o voto no Bloco de Esquerda”.

Nos últimos quatro anos, “demos apenas os primeiros passos e não há quem não saiba no país que cumprimos todos os nossos compromissos”, acrescentou Catarina Martins, sublinhando que, na segunda-feira após as eleições legislativas, há que “partir do que mais importante ficou por fazer: acabar com a precariedade, salvar o SNS, iniciar uma resposta verdadeira à crise climática”. “Aí estaremos, na segunda-feira, e não é segredo, como sempre estivemos: com determinçaão e sem nunca nos cansarmos, com humildade para ouvir, com orgulho no que fizemos, com confiança no povo deste país, que nunca desiste”, rematou.

 

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