Cuba não costuma chegar aos meios de comunicação internacional desta forma. Pelo tema, porque pouco se conhece fora das ilhas sobre o ativismo cubano pelos direitos dos animais. E pelo próprio caráter de uma manifestação convocada pela sociedade civil completamente à margem do regime e das associações oficiosas mas autorizada pelo Estado.
Este caráter inédito é sublinhado pelos organizadores. Em declarações à Associated Press, Alberto Gonzalez diz que “não há precedentes” relativamente a uma tal decisão pelo que “isto marcará um antes e um depois”. Apesar disto, o ativista não ficou totalmente satisfeito. Queixou-se de, depois de ter sido devidamente autorizado o percurso, os agentes de segurança lhe terem pedido para evitar as ruas principais, supostamente para evitar problemas de tráfego.
Esta marcha também deixa um sabor doce-amargo ao cantor Silvio Rodriguez. Por um lado, louva a “inteligência” da decisão de aprovação da marcha afirmando que “nos faz sentir otimistas” na esperança de que “a mesma coisa aconteça com outras causas” mas, por outro, considera que é “uma vergonha que depois de aprovada a imprensa nacional não a tenha coberto.”
A manifestação contou com centenas de participantes, alguns dos quais passeando cães, e terminou junto da sepultura de Jeannette Ryder, uma americana que abraçou a causa animal em Cuba no início do século passado.
#CUBA: Quite the crowd walking along #Havana's Vedado neighborhood marching against animal #cruelty. #CubaContraElMaltratoAnimal @WPLGLocal10 pic.twitter.com/7PL5a0m9wO
— Hatzel Vela (@HatzelVelaWPLG) 7 de abril de 2019
Em Cuba não existem leis contra o abuso de animais mas existem vários grupos, muitos informais, de defesa e ajuda aos animais de rua. Corre também um abaixo-assinado que pretende criar uma lei de proteção dos animais.