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Cuba cancela marcha contra a homofobia e transfobia

A parada LGBT que se realiza desde 2007 foi cancelada devido “a certas circunstâncias que não ajudam ao seu desenvolvimento bem sucedido”, explicou a organização. Ativistas apontam o dedo ao fundamentalismo religioso.
Marcha LGBT em Havana de 2017
Marcha LGBT em Havana de 2017. Foto Cenesex/Facebook

Ao fim de 12 edições, a iniciativa mais participada e festiva das Jornadas Cubanas contra a Homofobia e Transfobia — a parada LGBTI conhecida por “Conga cubana” — não se realizará este ano, anunciou a organização das jornadas, atribuindo a decisão a “orientações do Ministério da Saúde” e justificando-a devido “a certas circunstâncias que não ajudam ao seu desenvolvimento bem sucedido”

“As novas tensões no contexto internacional e regional afetam de forma direta e indireta o nosso país e têm impactos tangíveis no normal desenvolvimento da nossa vida quotidiana e na implementação das políticas do Estado cubano”, refere a nota do comité organizador das Jornadas, sublinhando que o cancelamento desta marcha prevista para as cidades de Havana e Camagüey — sede da província com o mesmo nome, a cerca de 500 quilómetros da capital — não afetará o restante programa das Jornadas.

Estas jornadas são as primeiras desde a aprovação da nova Constituição e arrancaram esta terça-feira sob o lema "Todos os direitos para todas as pessoas". Vão prosseguir até ao dia 17 de maio com inúmeros debates, espetáculos musicais, ciclos de cinema e conferências com a presença de líderes da comunidade LGBT de vários países latino-americanos.

O inesperado cancelamento da atividade mais visível e participada das jornadas anuais foi mal recebido pelos ativistas LGBT, que apontam o dedo aos “fundamentalistas religiosos”. Um desses ativistas é o jovem pastor batista Adiel González Maimó, que acusou os organizadores do Centro Nacional de Educação Sexual — liderado por Mariela Castro, filha do ex-presidente Raul Castro — de terem medo dos protestos religiosos.

“O Código de Família não vai reconhecer nem o casamento nem a adoção por casais do mesmo sexo por falta de vontade política real e pelo pânico que temos em relação às igrejas. Esta é que devia ser a justificação. Ganham novamente os conservadorismos e fundamentalismos políticos e religiosos”, afirmou González Maimó, que não perdeu tempo para convocar uma marcha LGBT em Havana para este sábado.

O reconhecimento do casamento homossexual estava previsto na proposta inicial do governo para a nova Constituição. Mas ao longo dos meses de debate público foi uma das medidas mais atacadas por grupos católicos e evangélicos que têm vindo a ganhar terreno no país. No fim da discussão pública, o governo acabou por retirar esse avanço do texto constitucional, substituindo-o pelo compromisso de um referendo ao Código da Família, a ter lugar num prazo de dois anos.

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