Está aqui

CTT: Sindicato entregou petição para reverter privatização da empresa

A petição entregue esta quarta-feira na Assembleia da República pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Correios e Telecomunicações reuniu 8.600 assinaturas. O deputado José Soeiro defendeu que “cada dia que passa é um dia que confirma a necessidade de reverter esta privatização e devolver os CTT à esfera pública”.
Catarina Martins esteve com os trabalhadores dos CTT na concentração promovida pelo SNTC. Foto Esquerda.net.

De acordo com Victor Narciso, secretário-geral do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Correios e Telecomunicações (SNTC), mais de 80% das assinaturas foram recolhidas presencialmente "em todo o país" para "defender a prestação do serviço público e universal de correio com qualidade, lutar contra os despedimentos e o encerramento de Estações de Correio".

Após a entrega da petição, decorreu uma manifestação/concentração de dirigentes e delegados sindicais, em frente à Assembleia da República, em Lisboa, que contou com a presença da coordenadora do Bloco Catarina Martins e dos deputados Heitor de Sousa e José Soeiro.

Sindicato reivindica intervenção do Governo

“Os CTT, neste momento, valem 600 milhões de euros, se olharmos para a cotação das ações e foram vendidos por 900 milhões […]. Se o Estado já pagou [por prejuízos do] BES, BPP, BPN, etc., cerca de sete mil milhões de euros para nacionalizar a dívida [destes bancos], porque é que não pode gastar 600 milhões para nacionalizar os CTT para que a população, a empresa e os trabalhadores possam ser beneficiados?”, questionou Vítor Narciso durante a concentração.

“Aquilo que nós queremos é que os CTT voltem a estar na esfera do Estado, que é a única maneira de garantir um serviço público de qualidade e a estabilidade dos CTT”, explicou o dirigente sindical.

Ler também: José Soeiro arrasa administrador dos CTT

Em dezembro passado, os CTT divulgaram um plano de reestruturação que prevê o despedimento de cerca de 800 trabalhadores. Já em 2018, foi confirmado o encerramento de 22 estações de correios. Vítor Narciso admitiu, contudo, que o número de unidades a encerrar seja superior.

Questionado sobre a substituição de algumas destas estações por postos geridos por juntas de freguesia, o dirigente sindical repudiou esta solução, destacando que “o encerramento de uma estação de correio e a passagem para uma junta equivale a que a junta tenha de ter um funcionário para fazer o serviço”.

“Quem está a pagar? É a junta. E quem devia estar a prestar o serviço? Os CTT. Portanto, as juntas de freguesia estão a financiar os CTT. Não é solução”, vincou.

“Os CTT são uma empresa única, que tem distribuição, tratamento e banco de correio com serviços financeiros e só faz sentido ser assim. Agora, privilegiar a banca e os serviços financeiros em detrimento do serviço público universal de correio, que é o que está a acontecer neste momento, isso é que não pode acontecer”, defendeu Vítor Narciso, sinalizando que “a responsabilidade disso é do Estado e do Governo”.

Gestão privada está a destruir a Rede Pública Postal


No texto da petição, é assinalado que “a gestão privada dos CTT está a emagrecer/destruir deliberadamente a estrutura e componentes da Rede Pública Postal e, com isso, a incumprir o Contrato de Concessão e o Convénio de Qualidade e, dessa forma, a prejudicar fortemente os Portugueses e Portuguesas e o Estado Português”.

Ler também: “Uma ganância absurda está a destruir os CTT”



Nesse sentido, reivindica-se que “sejam envidados todos os passos necessários a um rápido e imprescindível processo de reversão da privatização dos CTT-Correios de Portugal, voltando os mesmos à posse total e gestão direta do Estado Português, como acontecia até dezembro de 2013”.

“É preciso parar este processo de delapidação e assalto à empresa”

“Cada dia que passa é um dia que confirma a pertinência e a necessidade de reverter esta privatização e devolver os CTT à esfera pública”, assinalou o deputado bloquista José Soeiro em declarações à imprensa durante a concentração promovida pelo SNTC.

José Soeiro frisou a urgência de “parar este processo de delapidação e assalto à empresa”, garantindo que o Bloco vai insistir na necessidade de rescindir a concessão.

Ler também: Greve nos CTT: “É preciso resgatar esta empresa e travar os despedimentos”

De acordo com o dirigente do Bloco, “tudo o que está previsto neste plano de reestruturação é uma forma de a empresa degradar ainda mais as condições de cumprimento do serviço público e de se concentrar na atividade do banco, que é aquilo que esta administração quer”.

“O que o Estado não pode é, por via do Estado central e local, apoiar este plano de reestruturação. O que o Estado deve fazer é reverter esta privatização e recuperar a capacidade de gestão do serviço público”, defendeu.

José Soeiro frisou ainda que, “quando a própria empresa solicita que seja o Estado a cumprir aquilo que é uma obrigação dos CTT, e que está estabelecida no próprio contrato de concessão, o que está a dizer é que não vai ter as condições para cumprir esse mesmo contrato”.

Termos relacionados Sociedade
(...)