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Crise empurra uma centena de portugueses para situação de sem-abrigo no Luxemburgo

O Centro de Apoio Social e Associativo do Luxemburgo diz ainda que há mais de 800 famílias em graves dificuldades económicas.
Distribuição de ajuda alimentar a pessoas na condição de sem domicílio fixo. Foto de CASA/Facebook.
Distribuição de ajuda alimentar a pessoas na condição de sem domicílio fixo. Foto de CASA/Facebook.

97 cidadãos portugueses a receber ajuda alimentar e 821 famílias que não têm dinheiro para pagar contas básicas como renda, eletricidade e alimentação. São dados do Centro de Apoio Social e Associativo do Luxemburgo avançados à Antena 1 por José Ferreira Trindade, o fundador da organização.

O dirigente associativo revela a “situação muito precária” destas famílias que recebem assistência da sua organização, mas o embaixador português no país diz que estes números estão “inflacionados”. Para António Gamito, se fossem da ordem da grandeza dos 800 “de certeza que haveriam mais pessoas a pedir ajuda para serem repatriados, para irem para Portugal”. Segundo ele, o ano passado os portugueses que pediram este tipo de assistência para o regresso foram apenas oito e este ano dois. O diplomata reconhece contudo que “as pessoas tentam manter-se aqui, embora em dificuldades, à espera que haja uma retoma económica”.

O jornal luso-luxemburguês Contacto informa, entretanto, que a “ação Inverno”, destinada a acolher os sem-abrigo do país durante o inverno e que deveria ter terminado esta quinta-feira, será prolongada até 30 de junho. Trata-se de uma iniciativa tutelada pelo Ministério da Família com a colaboração de várias associações que pretende prevenir as consequências das baixas temperaturas. Em tempo de pandemia, as instalações do centro de Findel cumprem também o papel de abrigar as pessoas durante o recolher obrigatório, entre as 23:00 e as 6:00, e de garantir assistência médica gratuita que permite detetar casos de covid-19.

Este mesmo jornal, já em outubro, dava conta da mesma situação de carência económica na comunidade portuguesa a viver no Luxemburgo. Para além das palavras de José Trindade, este meio de comunicação social contava com declarações de Marco Hoffmann, da Caritas Luxemburgo, que referia que 19,4% dos pedidos de ajuda para a linha Corona Helpline tinham sido feitos por portugueses. Luxemburgueses foram 37,04%. “Atualmente, há pessoas em situações muito complicadas e a passar fome em consequência da covid-19”, dizia então o coordenador da linha telefónica e responsável pelo Serviço de Trabalho Social Comunitário da instituição.

Quem na altura também confirmava a situação era o porta voz da Associação de Apoio ao Trabalhadores Imigrantes, Sérgio Ferreira, que falava em “casos de verdadeiras tragédias humanas”. A sua organização sentiu um aumento na procura dos vouchers alimentares que são distribuídos.

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