Genocídio

Criminoso de guerra israelita passeia em Lisboa

15 de julho 2025 - 14:45

A detenção do atirador do exército de Israel é exigida por uma Fundação que combate a impunidade dos crimes de guerra contra palestinianos, com base em provas divulgadas pelo próprio militar nas suas redes sociais.

PARTILHAR
Dani Adega

A Fundação Hind Rajab, que combate a impunidade dos crimes de guerra cometidos pelo Estado de Israel, apresentou queixa-crime no Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa para que o militar israelita Dani Adonya Adega seja detido e sujeito a inquérito por crimes de guerra cometidos na ofensiva israelita em Gaza. Durante o último cessar-fogo em Gaza, contaram-se em centenas as vítimas palestinianas em atos de rutura com a suspensão das hostilidades. Durante esse período, o sniper israelita publicou na sua conta de Instagram declarações e imagens para se vangloriar do seu sucesso a alvejar civis palestinianos.

São essas provas que agora são usadas para justificar o pedido formal de detenção. Adega está em território nacional e “Portugal tem de agir”. A Fundação Hind Rajab, com sede em Bruxelas, acusa Dani Adega de estar envolvido em graves violações do direito internacional, incluindo assassinatos seletivos de civis durante um cessar-fogo e a apropriação de bens civis para uso militar. Esta segunda-feira, a Fundação anunciou que a sua queixa contra Dani Adonya Adega foi apresentada pela advogada de Direitos Humanos Carmo Afonso, depois de o militar israelita ter sido localizado e fotografado este mês em Lisboa.

“Adega não está a esconder-se. Ele anda livremente numa capital europeia depois de se gabar das mortes cometidas durante um cessar-fogo. Portugal tem de agir”, observa um porta-voz da Fundação Hind Rajab, em comunicado, apelando às autoridades portuguesas para que seja detido imediatamente e presente à justiça em conformidade com o direito internacional. “Isto não é apenas uma questão de justiça para Gaza – é um teste para Portugal", afirma.

Segundo a organização sem fins lucrativos, Portugal tem a autoridade legal e a obrigação de deter suspeitos de crimes de guerra encontrados no seu território, ao abrigo do princípio da jurisdição universal.

Em comunicado, a Fundação explica que Dani Adonya Adega é um atirador furtivo pertencente ao 8114.º Batalhão do exército israelita e que serviu em Gaza sob o comando da 252.ª Divisão, condenada por estabelecer o "corredor da morte" de Netzarim, uma passagem mortal no centro de Gaza onde milhares de civis foram alvejados pelo exército israelita, nomeadamente crianças.

Termos relacionados: PolíticaPalestina