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Criminalidade em queda há uma década

A criminalidade em Portugal caiu na globalidade em 2018, mantendo a tendência de queda da última década, revela o último Relatório Anual de Segurança Interna. Mas alguns crimes aumentaram.
Polícias. Foto de Paulete Matos.
Foto de Paulete Matos.

A criminalidade em Portugal tem vindo a descer na última década. Esta queda manteve-se no ano passado, com aproximadamente menos 8700 queixas que em 2017, uma queda de 2,6%. São números do último Relatório Anual de Segurança Interna, relativo ao ano de 2018, que será apresentado até final do mês ao parlamento e a que a agência Lusa teve acesso.

Nos últimos anos tem-se participado às autoridades 330 a 350 mil crimes por ano. É cerca de 20% a menos que há uma década atrás, quando o número oscilava em torno das 400 mil queixas por ano. A tendência de queda começou em 2009 e acentuou-se a partir de 2012.

A criminalidade violenta e grave — categoria que agrupa vários crimes que se considera gerarem maior sentimento de insegurança na população, como os roubos, homicídios, agressões graves ou violações — tem caído ainda mais. Na primeira década do séc. XXI andava pela casa das 24 mil queixas, na década atual foi caindo e fica agora perto das 14 mil queixas, uma queda de 8,6% em relação a 2017 (menos 1322 queixas) e de cerca de 40% em relação aos números da década anterior. Representa aproximadamente 4% de toda a criminalidade participada.

Naturalmente, estes números globais escondem muita variação interna, com certos crimes a descer e outros a subir. Entre os crimes que desceram com mais peso conta-se os de incêndio e fogo posto (menos 4125 queixas ou 37% que em 2017), a contrafação e falsificação de moeda (aproximadamente menos 2500 queixas ou 22%), a condução sob efeito de álcool (aprox. menos 1600 ou 8%) os roubos por esticão (menos 734, 19%) e sem esticão (menos 552, 9%). Caíram também a criminalidade de grupo (menos 5% para cerca de 4500 casos) e a delinquência juvenil (menos 9% para cerca de 1500). A violência doméstica, um crime que tem estado em grande destaque, teve no ano passado uma queda muito ligeira (26 483 queixas, menos 230 ou 1% que em 2017, ano em que também diminuiu 1%).

Por outro lado, entre os crimes que subiram com mais peso conta-se as burlas informáticas (mais 1614 queixas, 20%) e os furtos a veículos (mais 1153, 5%). Em termos relativos também subiram muito os casos de homicídio voluntário consumado (mais 28, 34%) e de extorsão (mais 160, 46%) — mas em termos absolutos estes crimes são pouco frequentes.

Em relação ao que se passa durante as investigações criminais, as detenções aumentaram (10%) assim como os presos preventivos (4%). Aumentaram também as fiscalizações e apreensões de armas (mais 3% e 23% respetivamente) e as fiscalizações aos seguranças privados (10%). Já o número de condenados e de reclusos caiu (menos 6% e 4%) — uma queda natural, visto que a criminalidade tem caído.

Noutras matérias de preocupação recorrente em Portugal, os incêndios e as mortes na estradas, as notícias são positivas em relação a 2017. O número de fogos em 2018 caiu 30% em e a área ardida 92% — desde 2008 foi o segundo menor valor em número de fogos e o terceiro menor em área ardida. Na estradas, apesar de um aumento ligeiro do número de mortos (mais quatro, 1%), houve menos 102 feridos graves (-4%) e 464 feridos ligeiros (-1%).

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