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Cresce racismo contra a comunidade chinesa

Desde olhares recriminatórios e insultos a ataques à pedrada e ao lançamento de excrementos, em Portugal também se registam ecos do racismo contra pessoas de origem asiática que têm aumentado noutros países.
Lanternas chinesas. Foto de fabulousfabs/Flickr.
Lanternas chinesas. Foto de fabulousfabs/Flickr.

A ideia de um “vírus chinês” foi popularizada por Donald Trump. Mas os seus efeitos chegaram a Portugal. A comunidade chinesa residente no país queixa-se de um aumento de casos de discriminação e de hostilidade.

O jornal Expresso recolheu testemunhos de pessoas que têm sido alvo de “constantes olhares recriminatórios” e de insultos xenófobos, de outras que viram negado o serviço no café ou que foram discriminadas na fila do supermercado e até de situações em que houve pedradas e foram lançados excrementos.

Um suposto medo de contágio será responsável por parte deste fenómeno, como o caso da loja que tinha donos chineses e que ficou sem funcionários nacionais que saíram porque acreditavam num maior risco de contrair covid-19. O ódio racista faz o resto. Nas redes sociais aumentam as mensagens racistas, algumas à boleia das teorias da conspiração sobre o nascimento da pandemia.

Alguns dos dirigentes da comunidade chinesa em Portugal, preferem destacar no entanto o bom acolhimento dados aos imigrantes chineses e colocar os casos registados como “exceções”. O empresário Y Ping Chow, dirigente da Liga dos Chineses em Portugal, disse àquele semanário que os chineses em Portugal sentiram “no início da pandemia algum tipo de racismo” e que “sobretudo as crianças foram alvo de alguma discriminação na escola”, fazendo questão de sublinhar que se tratava de “palavrões” e não de “agressões”.

Liang Zhan, também empresário e dono de um jornal chinês, relativiza igualmente o que se passa, dizendo que apenas tomou conhecimento de “um ou dois episódios esporádicos” de racismo devido ao novo coronavírus. Um deles não deixa de ser sintomático: um estudante chinês queixou-se que lhe atiraram excrementos à cabeça no Saldanha, em Lisboa, enquanto gritaram: “Vocês são o vírus”.

Outra das situações mais graves, relatadas na reportagem do Expresso, é contada na primeira pessoa por Chen Yue, doutorando em Estudos Culturais pelo Instituto de Ciências Sociais na Universidade do Minho. Diz que foi insultado quando por dois jovens perto de um centro comercial em Braga porque, por ser chinês, estaria a espalhar o vírus. Acabou por ser apedrejado.

Por sua vez, Michelle Chan, do SOS Racismo, confirma o aumento de “violência no discurso tanto no espaço público como nas redes sociais” desde que começou a pandemia. A ativista nota que quando há aumento de casos de Covid-19, “crescem os insultos contra os chineses” mas insiste também em não generalizar “este fenómeno ao povo português”.

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