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Credit Suisse: a economia mundial está à beira de uma nova crise financeira?

Há boas razões para desconfiar das contas do banco. Desde o início do ano, o Credit Suisse já perdeu mais de 50% do seu valor, valendo hoje menos de 10 mil milhões de francos suíços.
Foto eflon/Flickr

Nas últimas semanas, os mercados financeiros têm atravessado um período de grande instabilidade. O mercado mundial de ações caiu 9,7% durante o mês de setembro e 27% desde o início do ano, de acordo com o índice MSCI. Muitos analistas falam na possibilidade de este ser o pior ano para a bolsa desde 2008, data da última crise financeira à escala global.

Para perceber o que se passa nos mercados, é preciso olhar para as perspetivas da economia mundial. Por um lado, as instituições internacionais preveem uma recessão no próximo ano. Por outro lado, as tensões geopolíticas acentuaram-se desde o início da invasão russa da Ucrânia. Além disso, cada vez mais bancos centrais estão a aumentar as taxas de juro de referência face à inflação. Entre estes, contam-se o Banco Central Europeu (BCE), a Reserva Federal dos EUA, o Banco de Inglaterra e o Banco Nacional da Suíça.

E é precisamente na Suíça que se centram as atenções neste momento, devido à turbulência registada num dos seus principais bancos: o Credit Suisse. O banco suíço, que já tinha estado envolvido num escândalo quando se revelou o seu envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro e corrupção, voltou a estar em destaque pela negativa depois de o valor das suas ações ter caído a pique.

No último ano, as ações do Credit Suisse caíram mais de 40%, passando de um valor unitário de 9,83 dólares para apenas 3,92 dólares, e as dúvidas sobre a sustentabilidade do banco têm crescido. Uma forma de avaliar a confiança dos investidores é olhar para os ativos financeiros derivados chamados credit default swaps (CDS). Os CDSs são um produto financeiro que funciona como uma espécie de seguro contra a possibilidade de falência do emitente. A subida acentuada do prémio de risco exigido pelos investidores nos CDSs, que atingiu o valor mais alto da última década, indica que há cada vez mais dúvidas sobre a saúde financeira do banco.

Há boas razões para desconfiar das contas do banco. Desde o início do ano, o Credit Suisse já perdeu mais de 50% do seu valor, valendo hoje menos de 10 mil milhões de francos suíços. O novo CEO, Ulrich Körner, e o presidente Axel Lehmann (que sucedeu neste cargo ao banqueiro português António Horta Osório) anunciaram um plano de reestruturação que passa por um corte de 1,5 mil milhões de francos suíços nos custos, que pode implicar 5000 despedimentos. Körner admite que o banco atravessa um “momento crítico”.

O clima de grande incerteza em que o banco se encontra pode ser o suficiente para o derrubar: se muitos depositantes, com receio de perder o seu dinheiro, quiserem levantá-lo, o banco pode não ter condições para aceder a todos os pedidos e pode ser forçado a fechar portas para evitar a falência.

Certo é que, para já, a maioria dos investidores não parece ter acreditado nos comunicados oficiais em que o banco assegura que dispõe de capital suficiente para absorver os prejuízos que tem registado e levar a cabo a reestruturação. A falência do banco, que é um dos maiores da Europa, teria repercussões no resto do sistema financeiro e poderia desencadear uma vaga de falências semelhante à que ocorreu em 2008 após o colapso do banco Lehman Brothers. Com a subida dos juros e o encarecimento dos empréstimos a pressionar muitas empresas que dependem do crédito, a instabilidade financeira parece ter vindo para ficar.

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