CP põe fim a serviço da madrugada aos fins-de-semana e feriados

12 de março 2011 - 17:24

A CP, à qual se junta a Carris e a Transtejo, acabou esta sexta-feira com o serviço 'Lisboa à Noite', realizado durante a madrugada aos fins-de-semana e feriados. Bloco considera que a medida “amputa o serviço público de transporte”.

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Segundo o Correio da Manhã, a Carris e a Transtejo juntam-se à CP e também põem fim ao serviço nocturno "Lisboa à noite", que assegurava, aos fins-de-semana e feriados, ligações nocturnas na capital e às cidades de Cascais, Sintra e Barreiro. Foto Paulete Matos.

Fonte oficial da CP explicou à Lusa que o serviço 'Lisboa à Noite' se caracterizava inicialmente pela circulação de três comboios às 04:30 da madrugada de cada sábado, domingo ou feriado nas Linhas de Cascais, Sintra e Azambuja, com origem nas Estações de Cais do Sodré, Rossio e Santa Apolónia.

Em Fevereiro do ano passado, “face à análise da procura registada”, a CP suspendeu o serviço 'Lisboa à noite' na linha da Azambuja, “sem que tenha sido registada qualquer reclamação”, segundo a mesma fonte.

A partir de sexta-feira, a transportadora acaba com o serviço nas linhas de Cascais e Sintra. “Pela supressão deste serviço estima-se uma poupança na ordem dos 75.000 euros”, disse à Lusa a fonte oficial da CP, acrescentando que a decisão tem na sua origem um conjunto de factores, nomeadamente “as reduzidas taxas de ocupação”.

Segundo dados da CP, as taxas de ocupação neste serviço foram de 20 por cento no ano passado e as receitas cobriram 30 por cento dos custos.

A CP justifica a decisão com “o facto de não ser um serviço essencial no domínio do serviço público prestado” pela empresa, “o que é manifestamente comprovado pelos baixos índices de procura”, a que acresce “o momento da necessária rigorosa contenção de custos que a empresa tem que observar”.

Segundo o Correio da Manhã, a Carris e a Transtejo juntam-se à CP e também põem fim ao serviço nocturno "Lisboa à noite", que assegurava, aos fins-de-semana e feriados, ligações nocturnas na capital e às cidades de Cascais, Sintra e Barreiro.

Os autocarros foram suprimidos o mês passado e a agora é a vez dos barcos e comboios deixarem de prestar serviço. Com a suspensão deste serviço são afectadas quatro ligações fluviais às 04.00 (duas entre Barreiro e Terreiro do Paço e outras duas entre Cacilhas e Cais do Sodré), a circulação de duas ligações rodoviárias entre as 22.00 e as 05.00 e três comboios da Linha de Cascais e Sintra, às 04.30. Na linha da Azambuja os serviços já tinham sido suprimidos.

“A medida tem custos ambientais e de segurança rodoviária e prepara o caminho da privatização da CP”

Num comunicado de imprensa o Bloco fez saber que “repudia veementemente” o anúncio da CP, do fim do serviço da madrugada nas linhas de Sintra e Cascais, considerando que “a medida amputa o serviço público, não serve os interesses dos utentes, tem custos ambientais e de segurança rodoviária e prepara o caminho da privatização”.

Os serviços cancelados foram das poucas medidas de reforço de oferta tomadas ao longo dos últimos anos nestas linhas, permitindo uma alternativa de transporte para quem tem a capital como destino nocturno, diz o Bloco.

Para os bloquistas, além do conforto de milhares de passageiros, a criação destas ligações tinha objectivos ambientais e de segurança rodoviária, uma vez que eram alternativa à utilização nocturna do automóvel.

Para o Bloco de Esquerda, “o serviço público serve para assegurar direitos fundamentais, suprimindo necessidades básicas, independentemente delas serem ou não rentáveis”, e lembra “a taxa de utilização de 20%, em linhas que servem centenas de milhar de pessoas por dia, demonstra que existe uma necessidade da população a que a CP vai deixar de responder”.